Visita à cervejaria Dogfish Head

As cervejas americanas se destacam mundialmente por sua criatividade e alta carga de lúpulos. Entre elas, a Dogfish Head aparece como uma das cervejarias de vanguarda nos EUA. Confira a visita de Paulo Zanello à sede da Dogfish Head.

 

Após muito ensaiar, no começo de 2011  eu tive a oportunidade de finalmente visitar a cervejaria artesanal mais famosa dos EUA, A Dogfish Head Craft Brewed Ales (http://www.dogfish.com/) que fica na cidade de Milton, estado de Delaware.

Na verdade, a cervejaria surgiu como o primeiro brewpub do estado, chamado de Dogfish Head Brewings & Eats, localizado na cidade praiana de Rehoboth Beach. O ano era 1995 e a idéia era a de trazer cervejas originais, comidas originais e música original para a cidade. Naquele ano a DFH era a menor cervejaria comercial dos EUA.

O lado bom de ter começado tão pequena foi a enorme liberdade de criação de receitas inusitadas, que é o que até hoje define a Dogfish Head. Ja tomei a maioria de suas cervejas de linha, bem como as sazonais e posso dizer que apesar de boas, não são as melhores do mundo, mas sem sombra de dúvida são as mais criativas. Com esse “twist” na concepção capitalista (vendendo o inusitado ao invés de o melhor) aliado a uma incrível campanha de marketing e comunicação visual, o fundador e mestre-cervejeiro Sam Calagione construiu uma verdadeira mina de ouro, tornando sua cervejaria em uma das “maiores menores” dos EUA.

Paulo com Sam Calagione em Washington DC

Em 2002, foi construída uma grande e moderna fábrica na cidade de Milton (uns 20 minutos de carro de Rehoboth) que na época fez com que a produção aumentasse 30 vezes. Ela não parou de crescer até hoje. A recente série de TV Brewmasters, do Discovery Channel (que pode ser vista no Brasil no canal Discovery Travel and Living) catapultou ainda mais a popularidade da marca e de seu carismatico CEO e porta voz. Sam Calagione é um cara comum, apaixonado pelo que faz e pela sua família e até então não deixou o sucesso subir a cabeça e prejudicar o produto final. Tive a oportunidade de trocar uma idéia rapida com ele em um evento em Washington e ao falar que era do Brasil ele se animou e disse: “Brazil?! I love your sandals man!” (em uma referência as Havaianas).

A visita

Naquele dia de janeiro estava muito frio e com muito vento. Saí de Washington DC de carro em direção leste, cruzando a enorme Chesapeake Bay Bridge que faz a divisa entre Maryland e Delaware. Após a ponte são umas boas 2 horas de carro em estradas planas no meio do nada. Falando em nada, Milton é uma cidade minúscula e a cervejaria fica a poucos quarteirões da rua principal.

Cheguei na cervejaria lá pelo meio dia. As tours tem que ser reservadas de antemão pelo site da Dogfish, mas já estavam esgotadas assim mesmo. Resolvi ir de qualquer jeito e tentar entrar na lista de espera. Ao sair do carro já avistei a famosa Steampunk Treehouse – casa de árvore metálica que tinha sido trazida do festival Burning Man em junho de 2010, história retratada em um dos episódios de Brewmasters.

Steampunk Treehouse

 

Fermentadores de respeito da Dogfish Head

Do lado da casinha, a também famosa pista de Bocce, onde há varios torneios entre funcionarios e outros cervejeiros.

A pista de Bocce da cervejaria

Saindo do vento e dentro da área comum, pude ver a força do marketing da DFH com muitos produtos que iam de roupas, passando por posteres e livros e indo até frisbees, coleiras de cachorro e até sabonete (?!). Junto da loja, um taproom com 4 cervejas que poderiam ser degustadas 1 vez durante o tour, e outras muitas garrafas a venda.

Loja de produtos da marca Dogfish Head

Os sabonetes Dogfish Head à esquerda

Outra coisa legal nesse ambiente era um grande quadro de cortiça com muitos desenhos, recados e mensagens deixados por quem passou por ali.

Baixe a foto e de um zoom para se divertir

Não era só eu que tinha tido a ideia de entrar na lista de espera para o tour. Uma verdadeira multidão de turistas e amantes de cerveja, a grande maioria da propria região, fizeram com que a fila de espera fosse imensa, o que me fez realmente pensar que não conseguiria entrar.

Mas para minha grande alegria logo chegou o funcionario que iria dar o tour e anunciou que apesar do tanto de gente, eles iriam abrir uma exceção e todo mundo que ali estava iria poder entrar. Logo peguei meus óculos protetores e segui o guia la pra dentro.

O Tour em si foi o típico história da cervejaria, curiosidades, etc, etc. O legal foi ter visto o “Sir Hops Alot” original ali do nosso lado, essa foi a engenhoca inventada por Sam para infundir continuamente por um tempo pré-determinado o lúpulo em suas IPAs, daí os nomes 60, 90 e 120 minute. Destaque também para os sensacionais tanques feitos com a madeira Palo Santo, usados na maturação de algumas das cervejas como a própria Palo Santo Marron.

O sistema "quase-homebrew" original da Dogfish Head, quando era a menor cervejaria comercial dos EUA

Nosso "guia" com o sistema de moagem ao fundo

Os tanques de madeira Palo Santo

Depois da visita lá dentro, voltamos para o tasting room munidos de 4 fichas em forma de dogfish para provarmos as cervejas do dia.

Ficha de cerveja

Muitas opções. Notem os preços bem mais baixos que os do Brasil

A ordem de degustação foi:

– Namaste, uma witbier com capim-limão – http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/07/lupulin-reunuless-brickskeller.html

– Raison D’etre – http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/02/dogfish-head-raison-detre.html

– Indian Brown Ale – http://cervejasamericanas.blogspot.com/2011/02/dogfish-head-indian-brown-ale.html

– Palo Santo Marron – http://cervejasamericanas.blogspot.com/2011/01/mais-dogfish-head.html

Depois da degustação era hora de comprar alguns presentes, pegar o carro e seguir para Rehoboth Beach  para passar a tarde no Brewpub, onde tudo começou.

 

por: Paulo Zanello, do blog Cervejas Americanas.

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2 Comentários

  1. Nobre companheiro!!

    Achei mto interessante seu post sobre a visita à cervejaria DOGFISH HEAD.

    Tenho um blog focado em viagens, cervejas, vinhos, futebol e outras coisas boas da vida!!

    Esse ano tive a oportunidade de degustar 105 tipos diferentes de cervejas e estarei contando toda a saga no blog!!

    Caso seja de seu interesse queria publicar seu post, pois não é qualquer dia que temos a oportunidade de conhecermos uma fábrica como essa!!

    Abraços

    Fabio Almeida

  2. Cara, muito bom o relato. me deixou com mais vontade ainda de visitar a Dogfish Head.

    Abraços,

    Rafael Gordilho

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