Universo da Cerveja

Cerveja Noi Avena: a Belgian Pale Ale de Niterói

Noi Avena
Escrito por Danilo Carneiro
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Em meados de 2008, antes do início de minhas aventuras no universo cervejeiro, visitei minha família em Niterói. Tios e primos fluminenses os quais me apresentaram um lugar que, na época, era bem avant-garde para os padrões não só niteroienses, mas do Rio como um todo.

Era um novo restaurante que tinha um diferencial grande para aquele ano na cidade de Niterói tinham cerveja artesanal: era o Noi.

O fato interessante é que na época, em 2008, eles tinham cervejas “não tradicionais”, uma época em que o termo artesanal não era tão difundido na época.

Muito chão se passou desde que abriram o Noi e, hoje, se trata de uma grande cervejaria de Niterói, sendo difundida Brasil afora. Tamanho o alcance deles, já bebi cervejas deles tanto aqui em Belo Horizonte, onde moro, quanto em Brasília, minha cidade natal.

A cerveja Noi Avena

Cerveja Noi Avena

Imagem retirada do Trip Advisor

A cerveja Noi Avena se trata de uma Belgian Pale Ale com dois tipos de malte de cevada, malte de trigo e flocos de aveia (daí o nome avena) além de duas variedades de lúpulo.

Ela tem algumas premiações como medalha de ouro no South Beer Cup (2015) e na Copa de Cervezas de America (2016), entre outras premiações medalhas de prata e bronze. Agora chega de devaneios e bora pro jogo.

Aparência

Servida em uma tulipa da Duvel, tem cor cobre, aparência limpa, mas sem ser transparente.

Como esperado para as Belgian Pale Ale (não confundir com Belgian Golden Strong Ale), diferentemente de estilos belgas mais fortes, a espuma bege clara veio forte, mas se dissipou em pouco tempo, algo que não acontece tão rapidamente quando comparado a outras categorias belgas.

Aroma

Malte moderado, pronunciado aroma de biscoito escuro levemente tostado, um pouco de álcool, que estranhamente é bem perceptível para uma cerveja de 5.2%, e um leve toque de mel, mas quase nada de caramelo ou nozes, o que deixou um pouco a desejar nesse ponto.

Há também como esperado um forte aroma frutado, pêra sendo a mais pronunciada, ponto forte por sinal.

Tudo com um intenso aroma de fenóis os quais são típicos de produção belga (aquele aroma que grita cerveja belga assim que você abre), esse ponto é algo que me apetece bastante, mas, dentro deste estilo belgas em específico, deveria ter sido reduzido um pouco.

O lúpulo é bem leve, o que deixa o aroma de grãos e frutas bem perceptível. No geral, o aroma é bem complexo e interessante, merecendo um momento de calma para avaliá-lo.

Sabor e corpo

Como já previsto pelo aroma, há um belo gosto de malte, sendo biscoito e tosta os sabores mais pronunciados dessa parte, bem pouco doce, não percebo muito mel ou caramelo.

As frutas definitivamente estão lá, menos identificáveis pelo gosto do que pelo aroma, mas a presença delas existe.

Agora algo não esperado é que existe um amargor médio-forte (nada forte como uma IPA, nem mesmo uma APA, mas ainda bem perceptível) que te assusta de supetão e some antes mesmo de você perceber que veio, desaparece bem rapidamente.

Há um leve toque de fenóis que trazem uma sutil picância a cerveja. O gosto de trigo e aveia são imperceptíveis, sendo as cevadas (talvez Caramunich ou Vienna) bem mais notadas.

Sensação na Boca

Uma cremosidade média, definitivamente tem corpo. Um ponto interessante é que a carbonatação é sentida na boca mesmo depois da espuma ter desaparecido, o que traz essa certa cremosidade.

É percebido também uma sensação picante dos fenóis.

O amargor existe e realmente é um tanto fora de lugar, mas é tão pontual que não quebra a experiência e não a tira de forma nenhuma o estilo Belgian Pale Ale.

Vale também ressaltar que de forma alguma é uma belga leve demais pois, por definição de estilo, a Belgian Pale Ale é um estilo de ale belga feita para ser leve, muitos tentam a comparar com outros estilos claros belgas como Belgians Strong Golden Ale ou até a Tripels, mas essas cervejas se enquadram em outras grandes categorias.

Considerações Gerais

Algo que eu percebi lendo outros reviews sobre a Avena foi a constante crítica ao seu amargor e à ideia de ser “uma belga leve demais”, ambos fatos que discordo devotadamente.

A Belgian Pale Ale seria mais comparada a uma Pale Ale Inglesa do que com estes outros estilos belgas fortes, pois são cervejas relativamente leves, com um malte proeminente, seco, um leve aroma de frutas, amargor leve/moderado e com toques não fortes de fenóis.

Neste último ponto ela peca, pois há forte aroma de fenóis, que por mais que deliciosos, fogem do estilo nesse aspecto e podem causar confusão no paladar

Como experiência, foi bem agradável. A harmonizada com pão caseiro recém feito e com postas de bacalhau em conserva, regadas em azeite e alho, um pecado.

Esse texto foi feito com a cerveja fornecida pelos nossos parceiros do The Beer Planet Club, o clube de cervejas especiais por assinatura mais completo do Brasil. Quer saber mais? Acesse o site do clube e tire suas dúvidas!

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Sobre o Autor

Danilo Carneiro

Entusiasta de culinária caseira. Amante de tudo aquilo que é fermentado. Produtor de cerveja caseira e de outros experimentos alimentícios que a ANVISA nunca aprovaria.

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