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Nanocervejaria: grande valor para a cultura cervejeira no Brasil, parte 3

Escrito por Carlos Lara
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Agora vocês vão conhecer um pouco mais das cervejerias Mestre das Poções e B&R Cervejas Especiais. Chegamos ao terceiro capítulo do tema nanocervejarias com dois paulistas com objetivo de expansão. Ambos começaram como produtores caseiras, melhoraram o equipamento, e agora sonham com novos patamares. Porém, ainda são vistas diversas barreiras para conseguirem entrar no mercado.

 

André Balparda distribuindo suas criações, que podem levar mel e folhas de hortelã

Com uma produção mensal de cerca de 250 litros, a Mestre das Poções aposta num tom misterioso e mágico para conquistar seu público. Ao invés de seguir a Lei de Pureza Alemã, eles seguem as leis astronômicas e produzem cerveja de acordo com as fases da lua. Agora, os cervejeiros de Araras, São Paulo, trabalham para crescer e se regularizar. “Abrir empresa é fácil. O problema são os registros dos produtos no MAPA, que é demorado e exige os laudos. Esse é um passo que estamos nos preparando para dar”, afirma André Balparda, um dos sócios da nanocervejaria. Ele afirma que a cervejaria deve ter parte dos equipamentos profissionais e parte homebrewers, fermentando em bombonas dentro de freezers. “O processo de homebrewing dá certa liberdade experimental ao produto, coisa que ainda não queremos abrir mão”, justifica.

As cervejas da Mestre das Poções são fabricadas de acordo com as fases da Lua

Porém, André sabe que o caminho para a legalização não será rápido, mesmo eles já tendo uma empresa constituída. “Estamos nos preparando para entrar com a papelada no MAPA. Precisamos fazer uma reforma na ‘Cervejaria’ para nos adequarmos às normas da Anvisa. Por exemplo, azulejar todas as paredes (hoje só nossa cozinha é azulejada).Esperamos encontrar muita burocracia a frente, e gastar mais do que planejamos”, confessa André.

 

Marcelo Breda: "mesmo vendendo para amigos e vizinhos, não temos dado conta da demanda".

O caminho difícil também é apontado por Marcelo Breda, um dos sócios da B&R Cervejas Especiais, de São Paulo. Ele acredita que uma mudança na legislação seria o caminho para que estes nanoprodutores pudessem excercer sua atividade legalmente. “Se todos os cervejeiros caseiros e artesanais de verdade fizessem o mesmo, cuidassem da qualidade do que produzem e colocassem suas cervejas no “mercado” regional, leia-se vizinhança, essa pressão seria muito mais eficiente e eficaz do que políticos engravatados que nem sequer sabem o que é malte”, dispara. Marcelo se preocupa com a qualidade da informação sobre cerveja, e sobre produção caseira, encontrada na internet, e por isso criou o blog Breja do Breda. Seu objetivo é passar conhecimento para que cada cervejeiro desenvolva seu próprio caminho, sem apenas tentar criar clones de suas cervejas prediletas.

 

Como forma de incentivar a cultura cervejeira, Breda ainda fabrica equipamentos e ensina didaticamente como fabricá-los. “Procuramos fazê-los para os que não tem habilidade, tempo, paciência ou vontade de produzir seu próprio ferramental”, explica. Ele cobra ainda a mesma atitude de outras pessoas do meio cervejeiro, que segundo ele, quando crescem se voltam mais para resultados financeiros que para o engrandecimento da cultura cervejeira do Brasil. Marcelo Breda afirma que imagina criar uma cervejaria do tamanho viável para que o mercado absorva seus produtos, seja ele qual for. “Não há a necessidade de ser comprado, de virar milhonário, de ser fechado por interesses diversos e ser afastado do mercado simplesmente por causa de alguns milhares de reais ou dólares ou euros”, completa ele.

 

As duas cervejarias paulistas, portanto, trabalham tanto para difundir a cultura cervejeira quanto para transformar sua nano em uma microcervejaria. Para André, da Mestre das Poções, a principal vantagem da legalização é poder sair do submundo de encontros e eventos. “A legalização permite uma liberdade de nos tornarmos públicos. Mas por outro lado você se aprisiona nas entrelaçadas e obscuras regras da burocracia brasileira. Um verdadeira dicotomia etílica”, explica.

 

Na parte final da nossa série sobre nanocervejarias vamos conhecer o caso da Seasons, de Porto Alegre. Fundada por um cervejeiro caseiro que entrou no mercado vendendo suas levas, hoje ela é uma microcervejaria com produção mensal de cerca de 4 mil litros e em breve estará com sua produção sendo engarrafada e distribuida para vários estados do Brasil. Leonardo Sewald dará dicas e apontará caminhos para quem sonha, como ele também sonhou, em ter a sua microcervejaria. Até lá!

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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