Nanocervejaria: grande valor para a cultura cervejeira no Brasil, parte 2

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Como já vimos na primeira parte da matéria, o nanoprodutor vive da sua paixão por cervejas. Apesar de comercializar seus produtos, o resultado financeiro é pequeno, pois o ganho com cervejas está no volume de produção. Assim, muitas vezes, a nanocervejaria serve como um embrião para uma microcervejaria.

 

Assim acontece com Gustavo Ranzato, da Ranz. Cervejeiro de panela, ele fabrica e vende em Lumiar, na região serrana fluminense. Mas o sucesso de suas cervejas está o fazendo crescer. “Meu novo equipamento é todo em inox, 3 panelas de 250L com fermentadores de 500L. Instalei em outro espaço, bem próximo a minha loja, para facilitar futuras visitas. Tenho feito todas as instalações de acordo com as normas, para quando der entrada no registro não ter problemas”, explica.

 

A Ranz aposta em equipamentos profissionais para crescer no mercado e produzir cervejas em maior escala (foto: Cervejeiros Amadores)

Gustavo relata que é possível encontrar cervejas produzidas por nanos a venda em diversas cidades, como São Paulo, Porto Alegre ou Juiz de Fora. E o Rio de Janeiro está ficando para trás neste quesito. “Digo isso pois sou frequentemente assediado por bares e restaurantes do Rio e Niterói pedindo minha cerveja, mesmo sem registro ainda. Já contabilizei uns 20. Nunca fui e nunca serei olho grande, gostaria que tivesse muitos mais como eu, vendendo cerveja artesanal com foco na qualidade sempre, para suprir este mercado sedento por coisa boa”, revela o proprietário da cervejaria Ranz.

 

Mas essa paixão por cervejas nem sempre é a fagulha inicial, como no caso de Humberto Ribeiro. “Eu não gostava de cerveja. Dizia isso com muita propriedade, até que um amigo, Fred, se indignou com essa minha fala e me destruiu o meu argumento de que cerveja era tudo igual com uma frase simples: ‘Você não conhece cerveja para falar isso”. E de fato ele não conhecia, sendo apresentado a um mundo novo. Incentivado por Fred, os amigos fizeram um curso de produção de cervejas artesanais e logo começaram a produzir. Humberto ficou maravilhado com a possibilidade de aplicar seus conhecimentos científicos. “Ao final da primeira brassagem que eu acompanhei na minha vida eu fiquei empolgadíssimo. Aquilo era biologia pura! Eu sou biólogo, era a minha chance de retornar para o laboratório, para os artigos científicos, para a vida acadêmica”.

 

Humberto, de verde, ao lado dos amigos da Cervejaria Grimor (foto Ed. Abril)

Dali, a Cervejaria Jambreiro foi criada e começou a colecionar prêmios em concursos de cerveja caseira. Hoje, Humberto produz cerca de 500 litros por mês de suas criações. “Quando um brasileiro descobre que pequenas indústrias são capazes de produzir diversos tipos de cerveja, com grande diferença entre si e entre o produto que ele conhece e que aquilo tudo pode ser feito artesanalmente é um choque cultural. As nanocervejarias aproximam o bebedor de cerveja do mestre cervejeiro e do processo cervejeiro seus os equipamentos e os insumos”, afirma.

 

Na próxima parte desta série de reportagens sobre nanocervejarias, você vai conhecer um pouco mais do cervejeiro paulista Marcelo Breda e a cervejaria Mestre das Poções. Breda faz coro sobre a importância do nanoprodutor e os princípios morais que ele juga necessário para quem quer se inserir da cultura cervejeira. “Seremos quem sabe uma cervejaria realmente brasileira, realmente artesanal, realmente ímpar e, se a qualidade assim nos permitir, cresceremos, caso contrário seremos uma pequena para sempre, mas sempre uma artesanal, de verdade”. Até lá!

 

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2 Comentários

    Bem legal o post, parabéns! Só uma correção, a foto da cerveja Ranz Bier foi eu que tirei!! hehehe e o site é http://www.cervejeirosamadores.com.br e não Caçadores de Cervejas!

    Abraços

    Daniel Rocha

      Daniel, falha nossa, e problema já resolvido!

      abraços

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