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Mercado cervejeiro: paixão e medo

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Inicia-se aqui mais uma série de matérias, desta vez sobre o crescimento do mercado e oportunidades profissionais. E, como em outras vezes, o pontapé inicial será feito através de um artigo, no qual coloco minha visão sobre um tema que tira muitas minhas noites de sonho. Afinal, é possível viver de cervejas? Sim, largar tudo e viver só disto, mesmo, é possível? Não é raro ouvir isso de um amigo cervejeiro, este sonho: transformar o hobby em principal atividade. Mas o que fazer para tornar isto realidade?

 

Com esta idéia, entrevistei pessoas que passaram e estão passando por esta transição, e outras que já atuam no mercado e formam e contratam estas pessoas. A idéia surgiu enquanto conversava com o Victor Marinho, que estava passando também por este processo decisório. Agora, é o cervejeiro júnior da Cervejaria Nacional e está investindo todas as suas fichas neste crescimento do mercado, deixando de lado a carreira de produtor editorial para trás.

 

As decisões e a própria mudança, muitas das vezes, acontecem de forma rápida, como neste caso. Mas, em outros, é um processo demorado, como o caso do Alencar Barbosa, da Küd Bier. Ele realizou o sonho de centenas de cervejeiro caseiros brasileiros: montou, com os amigos, e formalizou sua cervejaria. Após dois anos, nenhum dos cinco sócios tem como principal atividade. Não por falta de vontade, mas pela realidade financeira.

 

Você verá ainda os sommeliers de cerveja, que apostam nesta formação como passaporte para o mercado cervejeiro. Kathia Zanatta, formadora destes profissionais, mostrará o perfil e a relevância para o mercado. Já Edu Passarelli apresentará sua visão como um empresário, e as possibilidades financeiras para quem quer seguir esta carreira.

 

Vontade de trabalhar com o que realmente gosta é algo realmente fascinante, mas acaba não sendo um previlégio para todos. E fazer este ajuste entre paixão e retorno financeiro nos coloca na corda bamba. Como encontrar o equilíbrio necessário? Como saber a hora certa de dar o passo e em qual direção?

Hoje, como muitos, encontro-me também buscando este equilíbrio e o medo se mistura à paixão. O medo prende nossos pés ao chão e a cabeça voa em doses generosas de idéias e sonhos. O que veremos ao longo dos próximos dias será um pouco deste sentimento de busca da felicidade com a realidade do mercado de cervejas. Sommeliers, produtores de cerveja, advogados e engenheiros buscam, fundalmentalmente, duas coisas: felicidade e estabilidade financeira. Afinal, trabalhar com cervejas é uma profissão com outra qualquer, certo?

 

Para mim, hoje o site Homini lúpulo, os cursos e a 2Cabeças Cervejas, que lançou a Hi-5 Black IPA, dividem minha atenção e dedicação com o trabalho na área de produção de vídeo. Não dividem meu coração, porém, e por isto me solidarizo com todos os que vivem nesta berlinda, entre o certo e duvidoso. Acho que o que mais me motivou a realizar esta pesquisa e estas entrevistas foi justamente a sensação de que o que me causa tanta agitação deve também contaminar os sentimentos de muitos brasileiros que vêem o mercado de cervejas crescer e quererem também o seu lugar.

 

Encerro, então, ao estilo Marília Gabriela. Uma das entrevistadas, Kathia Zanatta, deixa um pensamento que para mim define o sentimento sobre o assunto. Kung-Fu-Tse (o Confúcio): “Faça o que você ama e não terá de trabalhar um só dia de sua vida”.

 

Por: Bernardo Couto, editor do Homini lúpulo

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

22 Comentários

  • Excelente tema. Um assunto pouco discutido. Venho pesquisando sobre o mercado de trabalho para sommelier de cerveja e tenho encontrado muito pouco.

  • Bernardo, comigo foi meio que ao contrário, eu já trabalhava com gastronomia, mas em outra área quando o Marcelo me convidou para fazer parte da equipe da Colorado, e incrivelmente rápido eu me apaixonei pelo setor, sem imaginar o quanto ele é vasto. Hoje, passo aos meus alunos de gastronomia da faculdade a abertura que o mercado tem e quanto precisamos de pessoas dedicadas a abraçar uma causa que ainda vai longe no Brasil.Da paixão ao trabalho ou do trabalho a paixão é importante que as pessoas saibam que trabalhar com cerveja não é beber cerveja todos os dias só, mas ir além e entender o que ela pode nos trazer e como pode encantar e divertir os que tem sede!ótima iniciativa, como sempre seu blog está na frente e você fazendo a sua parte para a boa divulgação daqueles que escolheram pela paixão!bjo

    • Bia, como tenho visto, cada história acontece de um jeito, como você verá ao longo da matéria. Mas todos, em algum momento, se apaixonaram pelo mundo das cervejas. É algo tão complexo que só gostando muito para conseguir se inteirar, degustar, fazer cursos… é um aprendizado constante e maravilhoso.

      bjos!

  • Sou jornalista e tenho muita vontade de entrar para o mercado cervejeiro. Tenho uma grana guardada, mas falta coragem para arriscar. Vou acompanhar está série com certeza.

  • Realmente é um tema muito interessante, não só para pessoas que já conhecem seu caminho de ingressão nessa odisséia, como para pessoas como eu, ainda não conhecem todas as possibilidades.

    Parabéns!

  • Bernardo, muito relevante o tema, vamos ver a qualidade das matérias, mas seu blog se consolida, dia após dia, como o melhor da área. Também estou preparando uma matéria sobre o assunto (por coincidência, comecei com o Victor também). Sucesso.

    • Oliver, saí na frente então hahaha aguardo pelos seus vídeos, tenho acompanhado.

      Obrigado pelo elogios, serão várias matérias. O tema é muito amplo e não quero colocar textos muito longos.

      abraços

  • Era tudo o que eu precisava. Eu e meus sócios estamos trabalhando muito para realizar esta transição de largar tudo para montar nossa micro cervejaria. Acompanharei com certeza!
    Parabéns pela iniciativa!

    Abraços

  • Parabéns Bernardo… com certeza esse é o mais impasse para quase todos os novos no meio cervejeiro!
    Acredito que a falta de experiência é compensada com muuuita boa vontade!
    Acompanharei com certeza!

  • Exelente iniciativa de matéria, acredito que a grande maioria dos cervejeiros caseiros tem esse sonho, há 4 anos atrás quando comecei o hobby, eu não pensava assim, hoje tenho um sócio e estamos produzindo em pouca escala quatro estilos de cerveja, e temos a intenção de futuramente montar um PUB ou uma micro, mas infelizmente isso ainda é muito caro e burocrático no Brasil, no entanto a paixão fala mais alto e a persistência leva ao êxito. Parabéns pela matéria, vou acompanhar atentamente.

  • Estou ansioso para acompanhar estas entrevistas! Divido com você a mesma sensação mista de paixão e medo; meu sonho e objetivo é tornar-me mestre cervejeiro e construir o próprio negócio no futuro. Estou buscando cursos e oportunidades no setor, como um apaixonado pela arte cervejeira que sempre fui. Sou de Ribeirão Preto e espero que a criação do pólo por aqui abra mais portas pra este começo de carreira. Obrigado por abordar o assunto, um abraço !

  • Bernardo otimo artigo, sou um desses que saiu da panela para micro, o que digo é: SER EMPRESÁRIO NO BRASIL, hoje independente do seguimento é matar dois leões por dia, a cerveja são tres leões. Mas a primeira pergunta que deve ser feita a si mesmo é: O QUANTO SOU APAIXONADO PELA PROFISSÃO ? Simplesmente porque onde existe muita paixão facilita a transposição dos obstáculos. A segunda é ESTOU DISPOSTO A SACRIFICAR TUDO PELO MEU SONHO ? Eu ouvi uma frase no Festival da Cerveja na palestra do Alexandre da Bamberg, que é a seguinte: VIDA DE CERVEJEIRO É 1% DE GLAMOUR E 99% DE MUITA RALAÇÃO. Poderia escrever varios motivos que talvez tirasse suas duvidas, mas aumentaria muito o texto.

    Um grande abraço

    • Carlos, vamos fazer uma entrevista então sobre isso. Aposto que há muita gente querendo saber um pouco da sua experiência. Mandei um email para vocês.

      abs,
      Bernardo

  • Grande sacada de matéria Bernardo, tenho certeza que irá borbulhar em nosso meio. Acompanharei com bastante atenção. Parabéns e sucesso. Valeu e forte abç meu

  • Para mim hoje é o penso o dia todo!
    Mas sou da área comercial há mais de vinte anos. Já fundei e fechei várias empresas. Acho que qualquer transição é abdicar de algo em troca de um incerto futuro. Mas tem que colocar o peito para tomar porrada senão não vai ter o correto valor. Já empreendimentos começarem lotados de dinheiro e ir a falência e vice versa. Então a melhor tomada de decisão é acreditar no negócio, ter o mínimo de preparo para o risco eminente, muita dedicação e tato comercial. Não consigo ver hoje de outra forma.
    também produzo cerveja e também projeto uma pequena produção. Andei consultando equipamentos para sair das panelas e vi que não é brincadeira. É caro. Mas a grande sabedoria ainda vem das panelas, filtros improvisados, fermentadores improvisados, geladeiras velhas. Porque se sair coisa boa nessa base é impossível de não crescer.
    Hoje produzo minhas receitas já amadurecidas pelas experiências anteriores, todas evolutivas. Faço festas de degustação, busco uma cara para a minha visão de mercado. O que cada um tem a sua. Se chegar até a esse ponto o resto vem!

  • Bernardo, ótimo artigo, realmente eu também vivo nessa berlinda, sonho todo dia com algo que possa dar certo, mas infelizmente ai vem a dificuldade financeira e as dificuldades. Vejo uma onda passando e quero pega-la, por isso não abandonarei meu sonho e um dia viverei esse sonho e como diz a frase da Kathia deixou: “Faça o que você ama e não terá de trabalhar um só dia de sua vida”

  • Bernardo!
    Parabéns pela matéria e estou ansioso pelo restante!
    Tive a oportunidade de conhecer vc pessoalmente no festival em Blumenau apresentado pelo meu amigo e colega de classe Gustavo Renha do Rio. Nós estamos nos formando agora como sommelier de cervejas (crias da Kathia) e posso lhe dizer que o caminho não é fácil, tem muito que estudar, que se dedicar e muito que beber… (a parte boa…rs) É muita informação mas também é um mercado fascinante e que tem expectativas maravilhosas para quem está começando. Venho da gastronomia, fiz um curso de cervejeiro caseiro há um ano e meio e estou fazendo minhas receitas e agora o curso pela ABS, estou mergulhando de cabeça no setor! acabei de ser contratado por uma importadora que na minha opinião é referencia no mercado e estou muito feliz e muito empolgado! Esse é meu ponto de virada, sucesso a todos nós! abraço!

    • Jonas e sua famosa brown ale que ninguém nunca provou, certo? heheh Quero ter essa honra!

      Mas é isso, há diversas formas e cada um encontrará sua porta de entrada e a maneira de ultrapassar. Vou tentar mostrar algumas, mas não há uma fórmula de sucesso senão trabalho sério, conhecimento e ética. A quantidade de comentários mostra quanto se sonha e se busca esta realização pessoal. Boa sorte e sucesso! Abraços!!

      • Essa aí já virou a “Secret Brown Ale”!! rsrs, brincadeiras a parte, o Jonas faz um excelente trabalho de gastronomia ligado as cervejas.

        Um abração!

  • Estamos em dezembro e essa realidade parece ainda ter muito fôlego. Agora já há uma consulta do MAPA para legalização de quem produz até 2500 litros de cerveja por mês. Horizonte melhor do que o de março, mas ainda lento e burocrático.

    Siga escrevendo com o teclado e a colher!

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