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Mercado cervejeiro: os produtores

Escrito por Carlos Lara
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Depois do primeiro episódio sobre o sommelier de cervejas, agora o tema são os mestre-cervejeiros. Talento e oportunidade podem abrir portas, mas o retorno financeiro ainda se torna um grande obstáculo. Nos Estados Unidos, estudos dão conta de que há mais de 100 mil empregos diretos nas quase 2 mil micro-cervejarias locais. No Brasil, ainda estamos na casa das 200, mas em franco crescimento, tanto de escala quando abertura de novas plantas. E é atrás deste sonho que muitos buscam sair das panelas caseiras para a escala comercial.

 

Victor Marinho: cervejeiro júnior da Cervejaria Nacional

Victor Marinho trabalhava com produção editorial e ao mesmo tempo cursava faculdade de economia. Enquanto isso, se desenvolvia na atividade de cervejeiro caseiro, junto aos amigos. Há cerca de dois anos e meio produzindo cervejas, ele produziu cerca de 40 levas. “Estudo economia atualmente, mas decidi que não é isso que quero da minha vida. Entre muitas idas e vindas, resolvi efetivamente mudar de área e aos poucos quero migrar integralmente”, explica Victor.

 

Para realizar este sonho, partiu para se especializar e se matriculou no curso de sommelier de cervejas da ABS. Porém, enquanto isso abriu uma vaga para cervejeiro júnior na Cervejaria Nacional, e Victor acabou sendo contratado. A Nacional oferece um plano de carreira para ele, e para isso ele busca se aprofundar no assunto. Mas avisa: “Há a necessidade de tirar o glamour da profissão de cervejeiro. É um trabalho como outro qualquer e fisicamente desgastante. Sim, é muito gostoso trabalhar com a produção de cerveja. E o que mais me marca são os cheiros da fermentação e do cozimento, que são sensacionais. E fora que ficar degustando os experimentos é fantástico. Mas é muito diferente do hobby”.

Alencar Barbosa: sócio da Küd Bier, mas com outra atividade principal

Caso diferente é do mineiro Alencar Barbosa, mas que começa semelhante. Também cervejeiro caseiro, Alencar viveu a emoção de vencer o concurso Somos Cerveceros, na Argentina, com sua IPA, a Kashmir, em 2008. Foi o impulso para ganhar escala e produzir pensando em venda. “Estudamos o mercado e decidimos apostar nossas fichas nesse público que ainda vai crescer muito nos próximos anos”, aponta. O sonho de muitos, que é montar a cervejaria com os amigos, se tornou real, mas sua atividade principal ainda é analista de sistemas.

 

Com equipamento de primeira categoria e belas instalações, Alencar e seus  4 sócios produzem na Küd Bier cerca de 4 mil litros por mês, geralmente nos fins de semanas. A carga pesada de impostos e a pequena escala impedem que a dedicação exclusiva compense financeiramente. O cervejeiro, que faz parte da efeverscente cena mineira, não desiste dos seus sonhos, e apresenta seus dois objetivos pessoais. “O primeiro é ver o seu negócio prosperar, o que é o objetivo de qualquer empreendedor. O segundo é trabalhar em um ambiente com uma energia tão contagiante, fazendo amigos o tempo inteiro. Viver de cerveja é sim um objetivo pessoal, e eu sei que esse momento se aproxima a cada dia para os sócios da cervejaria”.

Sede da Küd Bier, situada em Nova Lima/MG: cerveja e rock'n roll

Enquanto uns buscam o lugar ao sol outros já conseguem aproveitar a evolução do mercado. Também cervejeiro caseiro, o biólogo Patrick Zanello é um dos mestre-cervejeiros da Cervejaria Colorado, uma das maiores micro do país, que ultrapssou a marca dos 100 mil litros/mês recentemente. “Eu já me considerava uma pessoa da ciência, e agora consigo ver a arte por trás de um copo de cerveja bem feito”, afirma. Decido a trabalhar com cervejas, ele fez o curso Siebel Intitute em parceria com o Instituto Doemens da Alemanha. Patrick está na cervejaria de Ribeirão Preto desde março de 2010, e continua fazendo suas experiências com equipamentos caseiros. “A troca de informações e a parceria que temos entre cervejeiros é fundamental para alavancar de vez o mercado das cervejas artesanais”, revela.

Cervejeiro da Colorado, Patrick Zanello aposta no crescimento do setor

Para quem pensa em entrar neste setor, Patrick avisa. “Oportunidades nesse meio existem sim e muitas. Acredito que ainda precisamos de muita mão de obra qualificada, mas qualquer um com interesse no processo, assim como amor pelo que faz e pelo que bebe, pode crescer e muito num meio que ainda está engatinhando”.

 

Tanto para Alencar Barbosa quanto para Victor e muitos outros, a esperança do crescimento do mercado e menores barreiras fiscais pode gerar oportunidades melhores para o futuro. “Portanto, aos interessados em seguir carreira, sugiro fortemente para quem é realmente apaixonado pela produção de cerveja”, convida Victor Marinho. Cara apaixonado, tem coragem de embarcar nesta aventura?

 

O próximo post mostrará a realidade financeira do mercado de cerveja de acordo com nossos entrevistados. Até lá!

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

3 Comentários

  • Sempre a dificuldade de enfrentar o governo, sempre ele um inimigo. Sou Empresário Individual, portanto, para o governo, um ilegal fazendo cerveja. A Caixa econômica possui linhas de crédito para empresário individual, mas nos trata como empresários maiores, querendo sempre que se compre produtos, coisas absurdas como ‘planos de capitalização’. Sou cervejeiro caseiro e claro, posso produzir mais do que produzo, mas para isso “precisaria contratar um auxiliar. Não posso”, pois como disse antes, sou ilegal para o governo. Espero que um canetaço da presidente impulsione a mudança na legislação, porque esperar pelos deputados federais é acreditar em lágrima de crocodilo.

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