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James Squire, a primeira cerveja australiana

Escrito por Carlos Lara
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O rótulos, a garrafa, tudo parece diferente nesta cerveja artesanal vinda da Austrália. E não é a toa, ela foi fundada por James Squire, um criminoso condenado por roubo diversas vezes que foi mandado para o Novo Continente em 1785. Ele é tido, simplesmente, como a primeira pessoa a conseguir cultivar lúpulo no país, perto da virada daquele século. Morto em 1822, o funeral de James Squire foi, até então, o maior já realizado na colônia inglesa. É interessante notar que os presos eram enviados às colônias para povoar a região e para os ingleses se livrarem de criminosos na Inglaterra. Logo, haviam muitos condenados vivendo na Austrália.

 

Dentro desta fascinante história, James fundou a cervejaria que até hoje permanece artesanal, mesmo comprada por mega-coorporações da região. Provamos duas cervejas da marca, a Golden Ale e a Amber Ale, que já podem ser encontradas no Brasil, e ela foram as mais interessantes desta série de degustação de novas cervejas australianas no Brasil (as outras foram Toohey’s e James Boag’s).

A Golden Ale apresenta uma coloração alaranjada bonita, mas o que impressiona nela é o amargor. Já no aroma sente-se a marca do lúpulo bem evidente. Ela desce maltada, mas seca (como uma boa cerveja inglesa) e tem um final surpreendente bastante amargo. Para fãs de lúpulo ela é uma cerveja interessante, que chega a surpreender quem espera uma golden ale mais rica em sabores de malte.

A segunda degustação reservou outra boa surpresa. A Amber no próprio rótulo se entitula uma English Brown Ale. Sua coloração é âmbar, cobre, e traz um aroma bastante caramelado. Seu sabor é equilibrado entre doce e amargo, trazendo um final seco mas com um leve mas gostoso toque de castanhas no final. A influência inglesa é marcante na cervejaria, e não poderia ser diferente.

 

James Squire (conheça mais sobre sua história) era um criminoso mas deixou um belo legado para bebermos em sua memória. Ele chegou a ser condenado anteriormente a ir para a América, mas serviu ao exército para evitar a punição. Porém, após roubar alguns galos e galinhas de um quintal, foi enquadrado no programa de transporte de presidiários para a Austrália. E deu esta grande virada, indo da lama e vergonha para a fama, fazendo história naquele país. História que permanece viva até hoje nesta cerveja artesanal.

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e cervejeiro de buteco. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e tomando uma boa cerveja com o meu pai, e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.