Notícias Universo da Cerveja

Estamos de olho: infográfico no Mundo Estranho

Escrito por Carlos Lara
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Esta é a sessão que dá menos vontade de escrever, mas é de fundamental importância. Quanto mais saem matérias sobre cervejas na mídia, mais erros vemos, infelizmente. E são erros que vão além do aceitável e por isso a opção pelo esclarecimento, para que o interessado em cerveja possa ter as informações corretas. Desta vez, o Mundo Estranho, da Editora Abril, postou um infográfico supostamente explicando como a cerveja é produzida. O que não faltam são informações imprecisas, de fato muito estranho… Ele cita diversas fontes, a mas será que estas fontes publicariam conteúdos assim tão equivocados? É algo que merece ser visto mais à frente. Agora, vamos ao jogo de sete erros?

 

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Erro 1: De cara, temos a explicação sobre os ingredientes básicos, a Lei de Pureza e que isto é respeitado na Alemanha e na Bélgica. Os belgas não tem qualquer compromisso com o uso de malte, água e lúpulo, apenas. O uso de açúcar é muito comum, bem como especiarias, frutas e afins. Lei de Pureza é uma preocupação da cultura cervejeira alemã, apenas.

 

Erro 2: o arroz não é ingrediente básico de nenhuma cerveja. Ele é utilizado como fonte de carboidrato mais barata em cervejas comerciais, em larga escala. Porém, toda cerveja tem como base o malte, que pode ser de cevada, trigo e centeio.

 

Erro 3: no item 2, sobre a brassagem, é falado que esta dura cerca de 5 horas. Não é verdade, e está longe disso. A brassagem de uma cerveja leve, como uma pale ale, por exemplo, dura em torno de uma hora. As mais longas podem chegar a duas horas.

 

Erro 4: ainda no item 2, o que seriam os demais ingredientes da cerveja que seriam adicionados ao fim da brassagem? A curiosidade chegou a índices altíssimos!! Bem, após a brassagem, o mosto filtrado, sem o grão, é fervido, estapa que não é citada no gráfico. Nesta etapa é adicionado o lúpulo.

 

Erro 5: no item 3 fala que todas as fermentações acontecem em até 5 dias. O tempo de fermentação vai depender de vários fatores. Em alguns casos, pode passar de 10 dias, dependendo principalmente da densidade do mosto a ser fermentável.

 

Erro 6: no item 4 fala em maturação a 0 graus. Lagers maturam a esta temperatura, ou um pouco acima. Mas as ales podem entrar em maturação abaixo dos 10 graus. Assim, generalizando, as cervejas maturam entre 10 e 0 graus.

 

Erro 7: Agora, quando chegou na parte do “faça o seu pedido” o negócio ficou tenso. Vamos aos primeiro erro grosseiro: lá diz que lagers são cervejas de baixa fermentação e graduação alcoólica. Não existe nenhuma relação entre as coisas. O que determina o teor alcóolico é a quantidade de açúcar fermentável, que vira álcool e CO2 durante a fermentação. Existem estilos de lager, como doppelbock, que passam facilmente dos 8% de teor alcoólico, entre outros. Bem como ales de baixo teor alcoólico.

 

Erro 8: nada no estilo ale determina que a cerveja seja mais doce, como diz o texto. Tampouco, que elas são mais encorpadas. Este tipo de características depende de outros insumos e processos que não apenas o tipo de fermentação. As cervejas mais amargas são do tipo ale, como as bitters e IPAs.

 

Erro 9: ainda no estilo Ale. A Alemanha é uma tradicional produtora de lagers, e não de ales como foi dito, tendo basicamente apenas as cervejas de trigo na categoria de ale. Na Bélgica e na Irlanda, bem como em todo o Reino Unido, as ales são muito populares.

 

Erro 10: não há nada que determine que as cervejas lambic são feitas com trigo. Algumas são, outras não.

 

Resumo da ópera: antes fosse um jogo de apenas sete erros!

 

fonte: Mundo Estranho

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

14 Comentários

  • Lamentável demais a propagação de informações erradas ao público, mas esse não é um privilégio das cervejas. Estou cansado de ver coisas equivocadas sobre informática, carros, assuntos gerais, etc, em revistas e jornais de grande circulação. Se forçamos a barra, dá pra pegar outros errinhos como “Pilsener é o estilo de 99% das cervejas do Brasil”. Mais uma ótima matéria do Homini Lúpulo, mas tem um erro nela: Aparece “Erro 3” duas vezes!
    🙂

  • Bernardo, na minha opinião mais um erro da matéria foi citar o lúpulo única e exclusivamente como o responsável pelo sabor amargo, simplificando totalmente a arte da lupulação, que para mim, junto do trabalho com leveduras, são as duas nobres artes do processo cervejeiro.
    Saudações cervejeiras, Tarcísio Vascão.

  • É verdade uqe não se pode disseminar informações erradas, mas de forma geral achei a matéria boa. Os erros, com excessão do “Faça seu pedido”, considero leves, principalmente levando em conta que não estão falando de Cerveja Artesanal….
    Erro 1 – Um erro “médio”, vai…
    Erro 2 – Lá não dizia que o arroz é basico, apenas que algumas receitas permitem o uso, o que (infelizmente) é verdade.
    Erro 3 – Pensando em artesanal, erro grave… Mas não sei como esse processo funciona em uma Mega Coorp. Acho que o tempo de fervura está adicionado aqui sob a acunha de “Cozimento”.
    Erro 4 – Pensando em artesanais, errado de novo. Mas não sei como funciona em mega-cervejarias. No livro do John Palmer ele cita um processo de adição de lúpulo após o cozimento (para aroma e sabor) levando em consideração que o amargor das comerciais é quase 0, pode ser que não haja lupulação de amargor. Além disso, o gráfico mostra o “Cozimento”, acredito ser a “fervura”. Outros ingredientes adicionados? Carboidratos e anti-oxidantes para comerciais? Casca de laranja, café, fava de baunilha para artesanais? Não sei, mas não acho tão equivocado.
    Erro 5 – Não fala que toda fermentação acontece em cinco dias, bem ao contrário, fala que as lager acontecem em CERCA de 5 dias, a palavra ‘todas’ não aparece.
    Erro 6 – Erro grave, devem ter pego a Ambev e suas American lagers como única referência.
    Erros 7; 8; 9 e 10 – Todos Graves…

    Alguns outros erros que notei:
    11 – Dizem que 99% das cervejas do Brasil são Pilsen, e não são. São American Lagers (Light, Standart ou Premium).
    12 – Acredito que no Sec XIX já existiam Lagers na Alemanha. Não lembro bem a história, mas se não me engano as cervejas era proibidas de serem fabricadas na Alemanha durante o verão, mas podiam ser consumidas, desde que fabricadas no inverno. Assim, as cervejas eram fabricadas e armazenadas nas montanhas frias, onde não estragariam até o verão (por isso o nome Lager, que significa ‘guardado’ em alemão). Assim, as únicas leveduras que atuavam a baixa temperatura eram as de baixa fermentação. Além disso, com certeza já haviam Lambics naquela época.

    No geral, apesar o erros, gostei do infográfico.

    Espero ter colaborado com o Post, abraços!!!

  • O que é mais achei incoerente foi o subtítulo “Processo de fabricação é o mesmo para todos os tipos de GELADA e pode ser reproduzido em casa.” Ênfase em GELADA, pq foi difícil essa… Mas quanto ao posto, discordo apenas dos seguintes tópicos:
    Erro 1: “PRINCIPALMENTE na Alemanha e Bélgica.” Não são dados concretos, podem existir cervejarias belgas que trabalham co a lei da pureza.
    Erro 2: “Mas ALGUMAS RECEITAS permitem o uso de outros cereais, como trigo e arroz.” Não houve afirmação de que o arroz é um ingrediente básico e sim de que pode ser utilizado em algumas receitas.

    De qualquer forma, posts como esses são um exemplo, uma vez que existe MUITA informação errada disponibilizada pela mídia, que só serve de atraso para a disseminação da cultura cervejeira no Brasil. Ótimo post !

    • Alan, discordo com você no Erro 1. Uma coisa é existir cervejarias na Bélgica que seguem a Lei da Pureza alemã, tudo bem, devem ter. Outra é falar que a lei é seguida principalmente por muitas fábricas na Bélgica. Isso está errado, a Bélgica não é exemplo de aplicação da lei, muito pelo contrário. A fama da cerveja belga é pela adição de condimentos, especiarias, frutas, etc. Eles têm uma mente muito aberta quanto a experimentação. Bem diferente da Alemanha, onde a maioria das cervejarias (incluindo as grandes) seguem a lei.

      No caso do arroz, quem escreveu a matéria a fez com duas possibilidades de interpretação, e isso que deu confusão. Ele fala que GERALMENTE, as cervejas utilizam cevada, mas algumas receitas permitem o arroz. Esse GERALMENTE pode dar a entender que “quando não se usa a cevada, algumas podem usar o arroz” (no lugar da cevada) que aí sim a frase estaria errada. Se tivesse falado que pode ser adicionado também arroz, ficaria claro que não é grão básico. Acredito que não foi a intenção do escritor, mas se deu margem para interpretação, então não ficou bem escrito.

      • Felipe, o erro 1 realmente é bem difícil de ser contornado, principalmente pelo fato das cervejarias Belgas serem famosas por usar diversas especiarias em suas cervejas. Mas só chamei atenção para o fato de que a informação não é 100% errada. E quanto ao arroz, realmente dá uma dupla interpretação mesmo. Parece realmente que o arroz pode substituir completamente a cevada, o que seria um erro gravíssimo ! Mas é aquela coisa, é um erro que pode ser interpretado de várias formas, devido a má construção da frase. Quando o autor afirma que “é permitido o uso de outros cereais” não significa também que os cereais podem substituir completamente a cevada, assim como não significa que eles só substituem certa parte da cevada na receita. Enfim, o fato é que as informações ficaram dispostas de uma maneira muito frágil, sem consistência e abertas a interpretações que podem estar incorretas…

  • Pra mim tá claro que quem escreveu a matéria não entende de cerveja, procurou algumas fontes, inclusive Ambev como pode ser visto no rodapé da imagem além de duas outras fontes… Mas existem tantas outras confiáveis e com fácil acesso que não posso acreditar que uma revista com essa amplitude possa realizar uma matéria como essa sem orientação de um profissional. Lamentável que chegue esse tipo de informação às pessoas que talvez ainda não conheçam de cerveja e já começam com informações equivocadas. Para quem é do meio tá muito claro, mas para quem nunca ouviu falar de processo produtivo da cerveja isso acaba sendo a verdade até que se prove o contrário! E tenho dito!…rs Abraço Bernardo!

  • Não sabia da matéria, estou vendo agora e me arrepiiou os (poucos) cabelos. Infelizmente o BREJAS é comumente citado como fonte em informações que NÃO damos. Foi o caso. Não há nenhum conteúdo no BREJAS que corrobore os erros apontados. Vamos verificar junto à editora.

  • Acho que outros também perceberam um outro erro de processo.
    O mosto após fervido e adicionado o lúpulo, segue direto para a fermentação, sem nenhuma menção ao resfriamento, esse que só é citado para a maturação…

    De qualquer forma, em linhas gerais como já disseram ai em cima, essa matéria é legal, peca em detalhes, mas como citaram, é tipico nessas reportagens despretenciosas e sem fundamento tecnico, pra curioso ler e sair contando mesmo…

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