tipos de cerveja

Estilos de cerveja: conheça 50 dos principais e suas características

Algumas dúvidas vêm na hora de escolher uma cerveja para tomar, pois existem vários estilos e tipos de cerveja, várias marcas no mercado. E dentre essas marcas qual te agradará mais? Qual tem o gosto e aroma que você está procurando? 

Se você acha que a única facilidade é a hora de abrir uma garrafa e beber a cerveja bem gelada, neste artigo vamos te mostrar alguns tipos de cerveja disponíveis no mercado, assim você pode aproveitar, entender o que está comprando e tomando.

Antes vamos te explicar verdadeiramente o que é essa famosa bebida.

Mas o que é realmente a cerveja?

“É a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto cervejeiro oriundo do malte de cevada e água potável, por ação da levedura, com adição de lúpulo”. Essa é a definição do art. 36, seção 3 do regulamento da Lei número 8912 de 14/07/1994.

Ou seja, para ser cerveja tem que ter obrigatoriamente esses 4 ingredientes: “água, malte, lúpulo e levedura”. Mas não para por aí. Algumas ainda levam outros cereais, como trigo, milho, aveia. Alguns estilos usam especiarias, frutas e por aí vai. Agora que já temos noção do que é uma cerveja, vamos desmistificar um maravilhoso mundo onde esse precioso líquido se encontra.

Qual a diferença entre tipos e estilos de cervejas?

Os tipos de cerveja querem dizer a família que pertencem e também um pouco sobre o seu processo de fabricação. Quanto o assunto é tipo as cervejas são classificadas em duas principais famílias: as Ales e as Lagers. O que as difere é o tipo de fermentação e as leveduras que irão trabalhar no mosto. 

  • As Ale tem alta fermentação e são produzidas pelas Saccharomyces cerevisiae. Em geral tem sabores e aromas mais complexos, devido a compostos produzidos pela levedura durante a fermentação que é geralmente em temperaturas mais altas. Alguns exemplos: Pale Ale, IPA, Stout, Tripel, Weizenbier, etc.
  • Já as Lagers tem baixa fermentação e são produzidas pelas Saccharomyces pastorianus. Em geral, sua fermentação é mais “limpa”, ou seja, seus sabores e aromas são provenientes principalmente das matérias primas. A fermentação nas lagers acontece em temperaturas mais baixas. Alguns exemplos: American Lager, Pilsen, Dunkel, Bock, etc.

Existe também um terceiro tipo de família, que são as cervejas de fermentação espontânea, onde a fermentação se dá com leveduras selvagens e bactérias lácticas e acéticas presentes no ar ambiente. Esse tipo de cerveja é produzido tradicionalmente ao redor de Bruxelas. Alguns exemplos: Lambic, Gueuze, Kriek, Framboise, etc.

Dentro das famílias, encontramos os estilos (como os exemplos apresentados), que se diferenciam pelo método de produção, matérias primas utilizadas, cor, aroma, sabores, teor alcóolico, intensidade de amargor, região de origem, etc.

Hoje existem mais de 150 estilos catalogados, e vamos apresentar para vocês os principais estilos, os mais consumidos, e os estilos que estão em alta. E por fim podemos separar esses estilos nas 4 principais escolas cervejeiras: Alemã, Inglesa (ou Britânica), Belga e Americana — você aprende tudo sobre as escolas aqui.

  1. Alemã é conhecida por sua tradição, seguimento da Lei da Pureza e do predomínio das Lagers.
  2. Inglesa é a clássica, com cervejas equilibradas, predomínio das Ales, e muitas vezes bem lupuladas.
  3. Belga prega a criatividade, onde há o uso de especiarias, frutas, e é aberta a experimentos; além das cervejas de fermentação espontânea.
  4. Americana é a escola da inovação, onde há em sua maioria a releitura e misturas dos estilos das outras escolas, buscando intensidade.

Então vamos apresentar de maneira bem facilitada 50 dos principais estilos, separando por família e escola e apresentaremos exemplos de cada um dos estilos, dando prioridade aos rótulos que são encontrados no Brasil.

Família Lager

Lagers da Escola Alemã

A escola alemã é famosa por suas lagers. E não se resume apenas à Alemanha, engloba cervejas de países vizinhos como República Tcheca e Áustria. Das claras às escuras, são em sua maioria cervejas limpas e fáceis de tomar.

1. Bohemian Pilsner

Essa é a mãe das ditas “Pilsen”. Foi criada em 1842, na cidade de Pilsen, na região da Bohemia (República Tcheca). O primeiro exemplar, é encontrado ainda hoje, é a Pilsner Urquell — na tradução “Pilsen original”. 

Possui coloração dourada brilhante, aroma de biscoito e pão do malte, amargor moderado e sabor do lúpulo condimentado e floral, geralmente provenientes do clássico lúpulo tcheco Saaz. Os aromas e sabores de malte e lúpulo são bem equilibrados. 

Exemplos de cervejas: Pilsner Urquell, Czechvar, 1795 Original Czech Lager, Praga Premium Pils.

2. German Pils

É a versão alemã da Bohemian Pilsner. Em geral, ela é um pouco mais clara que a versão tcheca, e seu aroma é mais tendencioso ao lúpulo, que possui características florais dos lúpulos alemães Hallertauer. 

Exemplos de cervejas: Jever Pils, Augustiner Pils, Bitburger, Krug German Pils.

3. Munich Helles

Também baseada no sucesso da Pilsen tcheca, essa cerveja é produzida e consumida em larga escala na região da Bavária, Alemanha. Ela possui um equilíbrio aromático e gustativo de lúpulo e malte em intensidades baixas — em comparação à Bohemian Pilsner. Seu malte evidencia um sabor de pão e biscoitos, e curiosamente consumida em alguns cafés da manhã na Alemanha.

Exemplos de cervejas: Paulaner Hell, Hofbrau Original, Spaten Premium Lager.

4. Dortmunder Export

Também é produzida e muito consumida na Alemanha, mas na região de Dortmund. Neste estilo, o malte é mais proeminente, ficando o lúpulo em segundo plano. O malte pode trazer uma sensação adocicada.

Sua cor é dourada claro que pode atingir uma escala mais escura, além de ter uma espuma bem consistente.

A efeitos de comparação entre uma Dortmunder Export, Munich Helles e uma German Pils, a Export apresenta mais caráter de malte, a Helles um maior equilíbrio entre malte e lúpulo, e a German Pils maior presença de lúpulo.

Exemplos de cerveja: Imigração Export e Uaimii Barao Eschwege Lager

5. Vienna Lager

Uma cerveja criada na cidade de Viena, na Áustria, em 1840 por Anton Dreher, daí o seu nome. Utiliza os maltes da região, o malte Vienna para darem uma característica leve para a cerveja.

Sua aparência varia entre âmbar e cobre claro, já seu aroma é leve e com poucas características do lúpulo e sutileza do adocicado do malte, que remete a um leve tostado, mas sem caramelo.

Exemplos de cervejas: Brooklyn Lager, Samuel Adams Vienna Style Lager, Bierland Vienna.

6. German Marzen (Oktoberfest)

Cervejas originalmente produzidas na Bavária e em específico no mês de Março (März em alemão) durante a primavera para ser consumida no outono, estação em que se celebra a Oktoberfest.

Apresenta um teor alcoólico um pouco mais alto e a coloração varia entre âmbar e marrom. Seu aroma é bem leve e conseguimos sentir notas de pão tostado e também um pouco de lúpulo, já seu sabor é levemente adocicado e é possível perceber um pouco de caramelo.

Exemplos de cerveja: Weltenburger Kloster, Trinca Lolla Oktoberfest Bier e Furst Oktoberfest.

7. Bamberg Marzen Rauchbier

Rauch significa fumaça em alemão. Essas cervejas defumadas são historicamente produzidas na região de Bamberg na Alemanha. Até aproximadamente 1700, os maltes eram secos por meio do calor da queima de madeira. Essa queima, conferia notas defumadas à cerveja. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, houve a remoção desse aroma típico, mas na região de Bamberg, os cervejeiros mantiveram o método tradicional, tornando a Rauchbier uma especialidade na região.

A Marzen Rauchbier tem as mesmas características da German Marzen, porém com notas de aroma de defumado de leve a intenso, podendo remeter a bacon. 

Apenas das Marzens Rauchbiers serem as defumadas mais clássicas, há também outros estilos defumados que levam o nome de “Rauchbier”, como Helles, Weizen, entre outras. 

Exemplares de cerveja: Schlenkerla Marzen Rauchbier, Spezial Rauchbier e Bamberg Rauchbier.

8. Tradicional Bock

Devido a mudanças feitas em últimos guias de estilos da BJCP, a tradicional bock passou a ser conhecida como Dunkles Bock e apresenta as mesmas características.

Uma lager alemã forte, escura, que enfatiza o malte. Em seu aroma o malte é moderadamente percebido como pão, e um pouco tostado. Já o lúpulo é quase não perceptível e também está em menor evidência no sabor da cerveja, o suficiente para equilibrar com o malte. Sua cor varia entre o cobre claro ou um marrom consistente — consistência que também é percebida em sua espuma.

Exemplares de cerveja: Petra Bock, Schornstein Bock e La Trappe Bockbier.

9. Doppelbock

A cerveja nasceu de uma história curiosa, porque monges da ordem de São Francisco de Paula precisavam fazer jejum de 40 dias e era estritamente restrito o consumo de alimentos sólidos. Por isso, fabricaram a Doppelbock e a chamavam de “Salvator” (Salvador) por salvar os monges da fome. Hoje ela é encontrada como a Paulaner Salvator. Em outras  versões comerciais você pode identificá-las quando visualizar o sufixo “-ator”.

É mais forte que a Dunkles Bock e seu teor alcoólico pode variar entre 7% – 10%. Sua coloração ganha destaque, pois podemos ver versões que variam da âmbar até um vermelho rubi, dando uma grande beleza somada ao colarinho cremoso da cerveja.

Em seu gosto e aroma quase não se dá para notar o lúpulo, dando um destaque maior ao malte tostado. Pode haver notas de chocolate em versões mais escuras, e muitas vezes suaves notas complexas frutadas de ameixa e uvas passas.

Exemplos de cervejas: Paulaner Salvator, Ayinger Celebrator, Spaten Optimator.

10. Munich Dunkel

Considerada a original Dark Lager da Europa e curiosamente Dunkel quer dizer escuro em alemão. É uma cerveja de baixa fermentação e coloração marrom escura. Aroma e sabor predominantes do malte, com notas suaves de chocolate, tostado, nozes, caramelo ou biscoito. Seu malte Munich dá um balanço entre o dulçor e o amargor do lúpulo.

Exemplos de cervejas: Hofbrau Dunkel, Konig Ludwig Dunkel, Bamberg München.

11. Schwarzbier

É uma cerveja realmente preta, com diz seu nome, mais escura que a Munich Dunkel.

O aroma que prevalece é o do malte, mas moderadamente. Pode ser notado em baixo teor o malte tostado e a cerveja apresenta notas de caramelo, café ou chocolate em um sutil adocicado — mas é importante saber que o dulçor sentido na cerveja é muito baixo, por isso não deve ser confundida com o estilo Malzbier. A Schwarzbier tem final seco. 

Uma curiosidade é que muitas cervejas nacionais que são descritas como Munich Dunkel, seriam mais corretamente categorizadas como Schwarzbier. Muitas vezes por questões comerciais, até porque é muito mais fácil falar Dunkel que Schwarzbier. 

Exemplos de cerveja: Samuel Adams Black Lager, Bamberg Schwarzbier, Falke Ouro Preto, Eisenbahn Dunkel e Antuérpia Munich Dunkel. 

12. Malzbier

Talvez a mais famosa Dark Lager encontrada no Brasil, já foi mais consumida do que é hoje, mas ainda assim é produzida por grandes cervejarias como Brahma, Antarctica e Itaipava. Escura e doce, teor alcoólico baixo, após a fermentação é acrescentado xarope de açúcar e caramelo.

Sua coloração escura não vem do malte tostado mas sim da adição do xarope e açúcar na sua produção. Por isso, é um estilo pouco documentado, muitas vezes desconsiderado, e não figura em guias de estilo como O BJCP (Beer Judge Certification Program) e no BA (Brewers Association).

Exemplos de cerveja: Malzbier Itaipava, Brahma Malzbier e Antarctica Malzbier.

Lagers da Escola Americana

A escola americana é característica por suas adaptações de outras escolas em intensidades diversas. No quesito lagers, se destaca na intensificação da drinkability, onde revisita as pilsners, criando estilos mais leves e menos amargos que as da escola alemã, deixando-as ainda mais fáceis de beber.

13. American Lager

Apesar de serem denominadas como Pilsen no Brasil, sua correta denominação é American Lager. São neutras e refrescantes. Fáceis de beber, pouco amargor, final relativamente seco, aroma suave de cereais, cor dourada e cristalina.

Há o uso de cereais não-maltados, como o milho, para deixar as cervejas mais leves e mais baratas. Estas muitas vezes são rotuladas como “Pilsen”, mas é uma questão muito mais comercial, do que técnica.

É também de longe o tipo de cerveja mais consumida no Brasil.

Exemplos de cerveja: Skol, Brahma, Antartica, Budweiser, Kaiser, Bavaria.

14. Internacional Pale Lager (Premium Lager)

Um outro estilo americano que se assemelha ao American Lager, mas possuem mais lúpulo e mais malte se tomarmos a American Lager como objeto de comparação. Mas já com os outros estilos possui menos malte e pouco aroma  de lúpulo. E sua cor beira o dourado, uma cerveja com um corpo médio-baixo. 

Podem ser puro-malte, ou utilizar pouca quantidade de cereais não-maltados.

Exemplos de cervejas: Heineken, Stella Artois, Corona Extra, Baden Baden Cristal, Colorado Ribeirão Lager.

15. California Common (Steam Beer)

Um dos únicos estilos originais dos EUA,  já que os outros da escola americana são versões de estilos de outras escolas. Nascido na Califórnia, o estilo é feito com levedura lager, mas foi selecionada para fermentar em temperatura de Ales, por causa do clima da região e a falta de refrigeração da época.

Em sua aparência, coloração âmbar para cobre suave. Em seu sabor é notável o caráter de malte moderadamente rico e um final seco. O malte apresenta claras características de tosta e caramelo, mas nunca é pesado no sabor ou no aroma. 

O amargor do lúpulo é bastante presente na característica dos típicos lúpulos americanos com caráter rústico, lenhoso, equilibrando a cerveja com sua intensidade moderada. A cerveja pode apresentar alguns ésteres frutados leves e sutis da fermentação, não deve ser mais do que um traço.

Exemplos de cerveja: Anchor Steam Beer, Zalaz Brumas Califonia Common e Ouropretana Café Lager.

Família Ale

Ales da Escola Inglesa

Quando se fala em Ale, pensar na Inglaterra é quase que um sinônimo. As clássicas ales inglesas são cervejas históricas, que resistiram ao tempo e permanecem até hoje com a tradição de ótimas cervejas equilibradas. 

Uma característica em comum entre as variantes dos seus estilos está a baixa carbonatação. Também descrita como escola britânica,  engloba cervejas do Reino Unido e Irlanda.

16. English Pale Ale

Muitas vezes também descrita como English Bitter por ser mais amarga, é a pale ale inglesa que surgiu no final dos anos 1800.
De cor âmbar a cobre,é um cerveja com boa presença de malte e lúpulo, com um médio amargor. O malte traz notas de tosta e caramelo. As notas dos lúpulos ingleses são presentes e são descritas como terrosas e herbais.

Exemplos de cerveja: Fuller’s London Pride, Verace Kings Cross, Lohn Bier Pale Ale e Dádiva Classic Styles English Pale Ale, Coopers Pale Ale, Eagle Bombardier.

17. English IPA

É a primeira variação do estilo a ser feita. A história, ou lenda,  diz que foi produzida pelos ingleses enquanto viajavam para a Índia. Esta Pale Ale seria feita com mais lúpulo e álcool para resistir ao longo tempo de viagem, já que o lúpulo é um conservante natural.

Tem cor dourada a cobre profundo, aroma terroso e herbal de lúpulos ingleses mais intensos que as English Pale Ales. O teor alcoólico é médio-alto a alto, e o amargor intenso. 

Exemplos de cerveja: Fuller’s IPA, Meantime India Pale Ale, Brooklyn East India Pale, Prússia English IPA e Kud Kashmir IPA.

18. Irish Red Ale

Uma interpretação irlandesa do clássico English Bitter, com menos lúpulo e mais tostado.

Uma cerveja que varia do âmbar avermelhado ao marrom claro, normalmente sem aroma de lúpulo. Notas maltadas tostadas e final seco. Dulçor de caramelo baixo a médio.

Uma curiosidade é que muitas microcervejarias acabam produzindo a Irish Red Ale e distribuindo em pubs locais, portanto será comum você encontrar esse estilo feito por cervejarias da sua cidade como uma alternativa ao excesso de cervejas IPA.

Exemplos de cerveja: Leopoldina Red Ale, Way Beer Irish Red Ale e Antuérpia Irish Red Ale.

19. English Brown Ale

Essa Ale britânica marrom, assim como o nome diz, tem o malte como protagonista, com aromas de toffee, caramelo, biscoito e nozes. O amargor é médio apenas para contrabalancear o dulçor. Não apresenta caráter mais tostado como uma Porter..

Há a versão da English Brown Ale na escola americana, descrita como American Brown Ale, com a principal diferença sendo a lupulagem intensa, sendo mais amarga e muitas vezes com aroma dos lúpulos americanos.

Exemplos de cerveja: Samuel Smith’s Nut Brown Ale, Wychwood Hobgoblin, Belhaven Robert Burns Brown Ale, Hemmer Chocolate Brown Ale, Verace Django (American Brown Ale).

20. English Porter

Essa clássica cerveja inglesa, tem seu nome “porter” devido a popularidade dessa cerveja entre os trabalhadores portuários ingleses no século XVIII. 

Uma cerveja marrom claro a escuro, muitas vezes com nuances rubis. O malte escuro também é um protagonista, e traz aromas de caramelo, nozes e um chocolate mais intenso, podendo chegar a um caráter de chocolate amargo. Em comparação a Brown Ale, tem um caráter mais tostado. 

Muito comum que se confunda com a Stout, mas a Porter não chega a ter um caráter de torra de café. Mas em versões de Robust Porter, esse caráter de torra está um pouco presente, além de uma força alcóolica maior.

Nesse estilo também encontramos a versão da escola americana, a American Porter, onde mais uma vez a lupulagem se sobressai.

Exemplos de cerveja: Fuller’s London Porter, Leopoldina Porter, Colorado Demoiselle (Robust Porter). 

21. Stout

Antigamente esse estilo de cerveja era denominado um sub-estilo da Porter, eram denominadas Stout Porter, que significa “Porter Forte”, sendo assim muito comum a confusão entre esses dois estilos. 

As Stouts são escuras, pretas,  com sabor da cevada torrada que lembra café e chocolate amargo e cacau. 

Sempre que falamos da Stout uma cerveja vem na cabeça: a Guinness é a principal cerveja desse estilo e é vendida no mundo inteiro, é um exemplo clássico de uma Irish Stout (ou Dry Stout).

Assim como outros estilos, temos também algumas variações do estilo Stout:

  1. Dry Stout – Corpo médio-baixo, final seco.
  2. Sweet Stout – Mais adocicada, muitas vezes pela adição de lactose.
  3. Oatmeal Stout – Mais encorpada, pela adição de aveia.
  4. Foreign Extra Stout – Mais forte e alcoólica, e mais torra que dá uma sensação de leve queimado. Pode apresentar esteres frutais.
  5. American Stout – versão da escola americana, mais lupulada e mais alcoólica.

Exemplos de cerveja: Guinness (Dry Stout), Young’s Double Chocolate Stout (Sweet Stout), Belhaven Oatmeal Stout, Coopers Best Extra Stout (Foreign Extra Stout), Unicorn Stout (American Stout).

22. Russian Imperial Stout (RIS)

Apesar de ser também derivada da Stout, vamos dar ênfase nesse estilo, por ser uma cerveja que muitas cervejarias têm produzido e caiu no gosto dos cervejeiros.

A história, ou lenda, dessa cerveja é que no século XVIII a Imperatriz Catarina II em uma viagem para a Inglaterra gostou tanto da Stout que quis levá-la para Rússia. Mas a cerveja estragou devido à longa viagem. Então a cervejaria Barclay fez uma versão mais alcoólica e lupulada, e com 10,5% ABV., ela conseguiu resistir ao trajeto. Nascia assim a Russian Imperial Stout.

É uma cerveja complexa, com o corpo que chega a ser licoroso. Nos aromas ela traz desde toffee e caramelo, passa por chocolate, cacau, até chegar num café intenso. Também apresenta sabores de ésteres frutais, remetendo a ameixa e frutas passas. Quando envelhecida em barris, pode ter sabor semelhante a um vinho do Porto. 

Exemplos de cerveja: Fuller’s Imperial Stout, Dum Petroleum, 2 Cabeças Ponta Cabeça, Invicta 120, 3 Ovelhas Tulha Negra e Dádiva Dragon Flies High Breakfast.

23. Barley Wine

Uma cerveja feita pelos ingleses para competir com os vinhos franceses no século XVIII, como o próprio nome diz, é um “vinho de cevada”.

Com uma coloração que varia de um cobre avermelhado a um âmbar escuro, chegando ao marrom, tem sabores que remetem a toffee, caramelo, frutas cristalizadas e rapadura. Tem um corpo licoroso, alto teor alcoólico, variando de 8 a 12%. A vinificação e envelhecimento trazem notas positivas nessa cerveja.


Exemplos de cerveja: Fuller’s Golden Pride, Hocus Pocus Mordamir, Way Beer Craft Beer Soul, Lohn Bier Barley Wine e Bodebrown Hair of the Bode.

Ales da Escola Americana

Estilos criados principalmente a partir do o renascimento das “craft beers” americanas nos anos 80, a grande maioria das Ales da escola americana são versões modernas das Ales inglesas, com a principal diferença do intenso uso da lupulagem, criando cervejas mais intensas, e muitas vezes com aromas dos lúpulos americanos.

Por isso, sempre que você ver algum estilo com a palavra American na frente, grandes chances de ser uma releitura de um estilo original mas com adição de lúpulo, “americanizando” a receita. 

24. American Blonde Ale

Um estilo americano criado por homebrewers e microcervejarias para competir com as lagers, particularmente cervejarias que não conseguiam produzir lagers, devido a baixas temperaturas de fermentação. 

Fácil de beber, sem sabores agressivos, é orientada para o malte. Pode apresentar baixo a médio aroma de lúpulos americanos, sendo mais comuns cíticos, florais, frutados e condimentados.

Tem mais sabor que as American Lagers, e é menos amarga que uma American Pale Ale.

Exemplos: Kona Big Wave Golden Ale, Hocus Pocus Orange Sunshine, Capa Preta Tropical Blonde.

25. American Pale Ale

Também chamada de APA, é a adaptação americana da English Pale Ale, usando os ingredientes encontrados nos EUA. Diferencia-se da versão inglesa principalmente pelos seus lúpulos, com notas mais cítricas e um pouco florais, e um pouco mais amarga e um pouco menos maltada.

Exemplos: Sierra Nevada Pale Ale, Founder Pale Ale, Flying Dog Classic Pale Ale, Hocus Pocus APA Cadabra.

26. American IPA

Assim como a APA, é a versão americana English IPA. Hoje é umas das cervejas mais consumidas pelos cervejeiros do movimento artesanal. Em comparação com a versão inglesa, são mais secas e menos maltadas.

O lúpulo é o protagonista, trazendo um intenso amargor, e notas cítricas, frutadas, e resinosas dos lúpulos americanos.

Exemplos: BrewDog Punk IPA, Guarnieri Cachorro Ovelheiro IPA, 2 Cabeças MaracujIPA, Bodebrown Cacau IPA e Capa Preta Melon Collie.

27. Outras IPAs

Como as IPAs são um sucesso no mundo da cerveja artesanal, vários estilos e sub-estilos apareceram espontaneamente, com os cervejeiros realizando variações principalmente do estilo American IPA.

Alguns clássicos:

  • Double IPA (Imperial IPA) – Uma American IPA para os lupalomaníacos, com mais carga de lúpulo, trazendo intenso aroma e amargor, que pode chegar a mais 100 IBUs! O teor alcoólico também é intensificado, podendo chegar a mais de 10% ABV. Exemplos: Bodebrown Perigosa, Sierra Nevada Hop Bullet.
  • Session IPA – Uma IPA leve, clara, com baixo teor alcóolico (girando em torno de 4,0% abv). Possui pouca presença de malte, e uma boa presença de lúpulos cítricos, frutados e resinosos no sabor e no aroma. Possui alta drinkability, feita para beber aos montes. Exemplos: Goose Island Midway Session IPA, Wals Session Citra.
  • New England IPA (Juicy IPA) – Criada na região de Vermont, na Nova Inglaterra – EUA, é uma IPA clara e turva. Tem um corpo aveludado devido ao uso de aveia e/ou trigo. Possui um forte aroma de lúpulo, trazido por usos múltiplos da técnica de Dry-Hopping. Apesar do alto aroma do lúpulo, não tem o amargor tão intenso como a American IPAs. Exemplos: Brewdog Triple Hazy, Roleta Russa New England IPA.
  • Black IPA – Versão escura da American IPA. Apesar da aparência de cor marrom escuro ao preto, não deve apresentar caráter torrado, queimado, ou defumado dos maltes. O foco ainda são os lúpulos americanos, com aromas cítricos, frutados e resinosos, e com um amargor médio alto a alto. O malte em segundo plano pode chegar a um toffee e caramelo. Exemplos: Kud Blackbird, Kairós Tribuzana.

28. American Red Ale (Amber Ale)

Versão americana das Red Ale, ficando entre uma APA e uma Irish Red Ale (IRA).

Em comparação a APA, possui maltes mais caramelados, e cor mais intensa. Em comparação a IRA, possui um caráter mais lupulado, trazendo notas de lúpulos americanos.

Exemplos: New Belgium Fat Tire, Titobier Trotsky Red Ale.

29. American Wild Ale/Sour Ale

Aqui, não é apenas um estilo, mas uma gama de estilos da escola americana,que são versões modernas das belgas de fermentação espontânea ou ácidas. Diferenciam das belgas, pois não há fermentação espontânea, e sim a adição dos microorganismos.

Nelas, além da Saccharomyces, há a adição de outros microorganismos e leveduras selvagens para a fermentação como Lactobacilos e Brettanomyces, que fermentam o mosto trazendo uma acidez lática e acética, respectivamente.

Nas cervejas com adição de Brettanomyces (muitas vezes você encontrará no rótulo a abreviação “Brett”), há um caráter de uma nota denominada com “funky”, muitas vezes descritos como estábulo, sela de cavalo e animalesco.

São cervejas com complexidades interessantes, que podem ou não trazer adição de frutas, e apresentam acidez em intensidades variadas.

Exemplos de cerveja: Everbrew Guava Berry, Dogma Branca de Brett, Blondine Brett Ale, BrewDog Quench Quake, Sierra Nevada Wild Little Thing, Capa Preta Moana.

Ales da Escola Belga

A escola belga é muito diferente das que estamos acostumados pela característica da originalidade dos cervejeiros, não se limitando a ingredientes muito bem definidos, como nas escolas alemã e inglesa. O uso de especiarias está presente em muitos estilos, além da complexidade de aromas fenólicos e frutados.

30. Belgian Pale Ale 

A Belgian Pale Ale apresenta uma coloração âmbar e pode ter sabor de biscoito, nozes, caramelo ou malte tostado. O estilo é caracterizado por amargor, sabor e aroma de lúpulo baixos, mas perceptíveis. Essas cervejas foram inspiradas nas Pale Ales britânicas pois começaram a ser produzidas no século XVIII com as tecnologias de refrigeração da cerveja.

Também tinha como objetivo se opor às cervejas alemãs e tchecas da época, que cada vez mais ficavam em evidência pela europa e utilizam ingredientes em comum das cervejas britânicas para alcançar o público.

Exemplos de cerveja: La Trappe Isidor, Gouden Carolus Ambrio, De Koninck, Eisenbahn Pale Ale.

31. Blond Ale

Uma por ser uma Ale de corpo baixo a médio, com baixo aroma de malte e um caráter condimentado e às vezes frutado-éster. Açúcares às vezes são adicionados para acrescentar o corpo da cerveja. 

Possui um dulçor médio e pouco amargo em comparação a todas as outras cervejas de estilos belgas, como Tripel e Golden Strong Ale. Geralmente possui um tom dourado, brilhante. A impressão geral é de equilíbrio entre doçura leve, especiarias e sabores de éster frutado de baixo a médio.

Não confundir com a Blonde Ale americana.

Exemplos de cerveja: Chimay Doree, La Chouffe, La Trappe Blond e Leffe Blond, Blumenau Frida Blond Ale.

32. Dubbel

Dubbel é um estilo fabricado por monges em mosteiros e abadias. Dizem que o nome se originou do estilo que exige o dobro do grãos que uma cerveja “normal”. Coloração marrom-avermelhada proveniente do uso de Candi Sugar, que também transmite aromas e sabores de açúcar queimado, passas ou chocolate-caramelo. 

Notas de ervas, ameixas, bananas, maçãs, especiarias, pimenta-do-reino e outras qualidades terrosas também podem ser encontradas em um Dubbel. Final seco e doçura do malte em evidência, pela quantidade relativamente baixa de lúpulos utilizados.

As melhores Dubbels são acondicionadas em garrafa, conferindo à cerveja uma forte carbonatação. O teor alcoólico varia entre  6% a 7,5%, mas não deve ser muito detectável no sabor ou nos aromas.

Exemplos de cerveja: Wals Dubbel, La Trappe Dubbel, Rochefort 6, BodeBrown St. Arnould 6 e Westmalle Dubbel.

33. Tripel

Apresenta uma dourada com uma espuma branca espumosa. Seu aroma pode ser picante, floral, perfumado e frutado com notas de laranja ou banana. 

O sabor pode ser levemente doce com um pequeno sabor de malte. A combinação de aromas e sabores frutados, juntamente com o amargor do lúpulo (de baixo a moderado) pode fazer esta cerveja parecer um pouco mais doce-maltada do que é tecnicamente. 

O sabor do lúpulo é de baixo a moderado e aparece com notas picantes, ou também herbal. Apesar do teor alcoólico de 7% a 10%, uma boa Tripel não serve somente para nos deixar embriagados. 

Exemplos de cerveja: Westmalle Tripel, Chimay White, La Trappe Tripel, St. Bernardus Tripel e Wals Tripel.

34. Quadrupel (Belgian Dark Strong Ale)

Também conhecida como Quadrupel, costuma utilizar maltes torrados na produção, fazendo com que ela possua uma coloração mais escura e um sabor mais tostado do que um Dubbel — assim evitaremos confusões. A sua coloração varia de um âmbar escuro a marrom escuro com uma espumosa ponta espumosa. O aroma pode ser descrito como rico, doce, tostado, pão, caramelo, apimentado, herbáceo, com notas de frutas escuras como ameixa, uva passa, ameixa ou figo. Pode apresentar também aromas de chocolate.

Seu perfil de sabor é semelhante ao do aroma e é moderadamente doce e maltado com uma quantidade de amargor de baixo a moderado, que fornece equilíbrio e às vezes uma qualidade picante. É um estilo com alto teor alcoólico, variando de 8% a 11%.

Exemplos de cerveja: Westvleteren 12, St. Bernardus Abt. 12, Chimay Blue, Delirium Nocturnum, Rochefort 8, Rochefort 10, Verace Oroboro e BodeBrown St. Arnould 10.

35. Belgian Golden Strong Ale 

Uma Ale forte e dourada ao estilo belga que se assemelha muito a uma Tripel, mas o sabor é menos granulado, menos doce e com um toque mais amargo. 

A cor varia do amarelo brilhante ao dourado, que geralmente é mais claro do que um Tripel. O final é mais seco do que um Tripel, mas ambas são bem carbonatadas, às vezes a Strong Golden Ale consegue ser um pouco mais. Aroma floral, perfumado e à base de ervas, devido aos lúpulos europeus usados originalmente ​​no processo de fabricação da cerveja. 

O  teor alcoólico varia de 7,5% a 10%, que é um fator bem notável na cerveja.

Exemplos de cerveja: Duvel, La Chouffe Achouffe, Delirium Tremens e Papo Cabeça.

36. Saison (Farmhouse Ale)

É difícil categorizar a Saison como um estilo de cerveja. Existem tantas diferenças entre as Saisons quanto semelhanças. Em geral, são claras, algumas escuras e outras ainda estão em algum ponto intermediário. A opacidade pode variar, tanto para turva quanto para clara.

O aroma é dominado pelos ésteres frutados, com aromas de banana ou limão e laranja. O aroma do lúpulo é geralmente picante e a base de ervas. Já seu sabor pode ser moderadamente picante e amargo.

As Saisons podem ser um pouco ácidas, mas (idealmente) não tanto a ponto de sobrepor os outros sabores. Assim como o aroma, o sabor pode exibir notas frutadas, cítricas, pimenta preta e, às vezes, o sabor de especiarias adicionadas. Seu teor alcoólico varia de baixo (4,5%) a alto (8,5%), mas não deve resultar em um aroma ou sabor alcoólico. 

Brettanomyces podem estar presentes em algumas versões, trazendo notas mofadas, estábulo e animalesco, como por exemplo um cavalo suado.

Exemplos de cerveja: St. Feuillien Saison, Saison Dupont, Invicta Saison Atrois, Wals 42 Farmhouse Ale e 3 Orelhas Farmhouse Ale.

37. Witbier

A Witbier é uma famosa cerveja de trigo produzida na Bélgica, um reduto cervejeiro nesse mundo. Apesar de ser uma cerveja de trigo, suas características são totalmente diferentes das Weiss alemãs, por ser uma cerveja bem leve e apresentar coentro e frutas cítricas — na maioria das vezes casca de laranja mas também encontrada com cascas de limão.

Cerveja com baixa graduação alcoólica e um corpo bem leve, dando muita drinkability para ela.

Sua coloração é um amarelo bem claro e uma grande turbidez. Por ser leve é altamente refrescante e um estilo recomendado para quem quer tomar cerveja belga com um baixo teor alcoólico.

Exemplos de cerveja: Hoegaarden, Blue Moon, Baden Baden Witbier e Leopoldina Witbier.

38. Bière Brut (Champenoise)

Criada pelos belgas, essa cerveja passa pelo mesmo método de fermentação dos champagnes e espumantes. Não considerada um estilo por muitos, por ser geralmente uma Belgian Strong Golden Ale ou uma Tripel com alto teor alcóolico que passa pelo método champenoise, que traz características únicas à cerveja, como uma alta carbonatação frisante. 

A levedura de espumantes acentua os aromas durante sua longa maturação, além de trazer mais complexidade de camadas e um final seco. 

Explicando o método champenoise: a cerveja base Tripel ou Strong Golden Ale é produzida até sua maturação e envasada em garrafas de champagne. Na garrafa é adicionado um extrato e leveduras de espumante. As garrafas passarão então pelo processo de remuage, que é o acondicionamento à 45º com a boca para baixo, e giradas em torno do seu eixo manualmente durante semanas, até chegar à posição vertical. Esse giro fará com que as leveduras se concentrem no gargalo para o próximo processo, o dégorgement, que consiste na remoção do fermento pelo congelamento do gargalo. A garrafa é aberta, e a própria pressão da bebida expele o fermento, então ela é fechada com uma nova rolha.

Exemplos de cerveja: DeuS Brut Des Flandres, Wals Brut, Morada Double Vienna Brut.

Ales da Escola Alemã 

Apesar da escola alemã ser lembrada pelas Lagers, uma clássica cerveja de trigo alemã é uma Ale! Vamos apresentar aqui algumas de suas variações.

Mas primeiramente vamos apresentar dois estilos Ales alemães que geram uma interessante rivalidade entre duas cidades.

39. Kölsch

Estilo ícone da cidade de Colônia, o nome é derivado do nome da cidade “Köln”. 

Uma cerveja limpa, delicadamente equilibrada, pode conter até 20% de malte de trigo. Pode conter uma nota sutil frutada e do lúpulo. Uma ale fermentada em baixas temperaturas. Possui coloração dourada. Pode ser facilmente confundida com Pilsens sutis por degustadores iniciantes. 

Exemplos de cerveja: Bodebrown Gol de Bicicleta e Eisenbahn Kolsch.

40. Altbier

Estilo ícone da cidade de Dusseldorf, Altbier significa cerveja velha, no sentido de antiga, devido ao uso do método “antigo” de alta fermentação.

A Altbier se caracteriza por ter a coloração que varia de cobre à avermelhada, alta lupulagem e final seco, com um bom balanço de malte, que confere aroma tostado e casca de pão. Ela é fermentada em uma temperatura relativamente baixa para uma Ale.

Se viajar à Alemanha, jamais peça uma Altbier em Colônia, ou uma Kölsch em Dusseldorf. Isso porque Dusseldorf pertencia a Colônia, e com o ganho de força política e financeira transformou-se em cidade, querendo deixar bem claro que além de cidades diferentes a população também bebia cervejas diferentes. E eles levam isso bem a sério, ou na piada:

Exemplos de cerveja: Dádiva Classic Styles Altbier, Bamberg Altbier, Skank Altbier e Tupiniquim Altbier.

41. Weissbier (Hefeweizen)

A Weissbier (ou Weizenbier) é uma tradicional cerveja alemã em que sua composição contém pelo menos 50% de malte de trigo e o restante é composto por malte de cevada. Existe uma grande dúvida em relação ao seu nome, é comum encontrar rótulos de cerveja que digam “Weizenbier” e outros com o nome de “Weissbier”.

A diferença é que Weizen significa trigo e faz uma alusão a sua composição, já Weiss quer dizer branco, dando destaque a clareza que a cerveja possui, ambos faltam de características diferentes e surgiram por serem termos regionais (Norte e Sul) mas se tratam da mesma cerveja  de trigo, clara e com um colarinho branco e de espuma consistente.

Quando descritas no rótulo como Weiss, Weissbier ou Weizenbier, geralmente são do estilo “Hefeweizen” porque se trata de um exemplar do estilo não filtrado. “Hefe” significa levedura e seu nome diz respeito à característica turva da cerveja. 

São cervejas claras, que vão do palha ao âmbar. Seus aromas e sabores são clássicos descritos como banana e cravo, provenientes de sua fermentação. 

Exemplos de cerveja: Paulaner Hefe Weiss, Franziskaner Hefe Weissbier, Bamberg Weissbier e Bierland Weissbier.

42. Kristall Weizen

Uma versão da Weissbier filtrada. Ou seja, apresenta praticamente as mesmas características de uma Hefeweizen, repetindo aromas de banana e cravo, porém é translúcida e límpida.

Exemplos de cerveja: Schneider Tap 2 e Weihenstephaner Kristall 

43. Dunkelweizen

São cervejas de trigo escuras, porque Dunkel significa justamente escuro em alemão – assim como a Munich dunkel. Assim como as outras cervejas de trigo, possui pelo menos 50% de malte de trigo, a diferença é que grande parte dessa porcentagem se trata de maltes tostados ou caramelizados, por isso a cor escura.

Uma cerveja com corpo médio para encorpado e em seu sabor podem ser notados tons de cravo, banana, baunilha, tutti-frutti. Pode apresentar notas que variam entre um caramelo, tosta e casca de pão. Sua cor característica é um marrom escuro.

Exemplos de cerveja: Erdinger Dunkel, Paulaner Weissbier Dunkel e Weihenstephaner Hefeweissbier Dunkel.

44. Weizenbock

Essa cerveja é derivada do estilo alemão Bock e mantém várias de suas características. Se trata de uma cerveja de trigo forte, com maior carga de maltes, podendo ter a coloração âmbar em versões claras, chegando a um cobre e marrom-rubi em versões escuras.

Em seu aroma é perceptível a presença de banana, baunilha e cravos. Nas versões claras terão notas intensas de pão, tostado, e grãos doces, enquanto nas escuras o tostado é intensificado, chegando a um caramelo, banana passa, ameixas, muitas vezes chegando a um leve chocolate. No paladar não se nota muito o lúpulo, predominando o sabor do malte de trigo e também a forte presença do álcool.

Exemplos de cerveja: Erdinger Pinkantus (uma versão escura), Weihenstephaner Vitus (uma versão clara). 

45. Berliner Weisse

O Berliner no nome significa que são cervejas que são produzidas em Berlim e existe uma lei que garante esse nome somente à elas.

É uma cerveja clara, bem leve e refrescante, sua principal característica que a torna diferente de outras do tipo Weiss é a sua sua acidez, que pode ser adicionada de algumas maneiras no processo de produção – principalmente pela utilização de lactobacillus no mosto.

Originalmente sua cor é clara, mas por conta da adição de xarope de frutas, pode tomar outras cores, como por exemplo cobre e até verde. Em seu sabor podemos perceber a acidez lática, principal característica da cerveja.

Exemplos de cerveja: Berliner Kindl Weisse, Verace Abaporu, Dogma Sourmind.

Bônus: Uma Ale Brasileira!

Como bônus, vamos apresentar o nosso 1º estilo de cerveja,  reconhecido pelo BJCP em 2018!

Obs: Não podemos falar de uma escola brasileira, porque uma escola agrupa um variado número de estilos, características próprias, tradições, história, etc.

 46. Catharina Sour

A cerveja ácida que foi idealizada pelos cervejeiros de Santa Catarina, tem como base uma Berliner Weisse porém particularidades que fizeram com que fosse catalogado como um novo estilo.

Sua principal característica é o uso de frutas frescas numa base de cerveja de trigo leve e refrescante, com acidez láctica devido à adição de Lactobacilos. É mais forte no quesito álcool em relação às Berliners, variando entre 4,0% a 5,5% abv., enquanto as alemãs chegam até 3,8%. Não tão ácida como as Wild Ales, Geuze e Lambic, e não possuem caráter de Brettanomyces. Sua coloração depende da fruta fresca utilizada.

Exemplos de cerveja: Lohn Bier Catharina Sour com Bergamota, Overhop Gravioh-Là-Là, Antuérpia Quintal Jabuticaba, Das Bier Catharina Sauer Morango Maracujá.

Cervejas de Fermentação Espontânea

Chamadas também de Lambics, quando feitas na região de Bruxelas, é classificada como uma terceira categoria nos tipos de cerveja por sua fermentação, que é espontânea e causa pelas leveduras selvagens do ambiente. Suas características estão mais interligadas às regiões em que são fabricadas e também seus tanques de produção, que são abertos para que os microorganismos do ambiente atuem na fermentação. Sim, algo bem natural e até rústico, já foram identificados pelo menos 86 microorganismos diferentes em uma Lambic!

São cervejas claras, ácidas e também maturadas em madeira. É característico um sabor de acidez acética, e seu aroma vai desde os frutados aos cítricos, e as notas animalescas, de estábulo e mofadas das Brettanomyces dão uma certa complexidade.São consideradas o tipo de cerveja mais antigo existente no mundo.

Especialidade Belga

Essas cervejas são uma exclusividade belga, e são produzidas na região de Flandres. 

Também possui algumas subdivisões:

47. Straight Lambics

É uma pura Lambic, sem blends  com 1 ano de maturação. É seca e muito ácida.

São Lambics puras que ao completarem um ano de maturação são vendidas na pressão em cafés e restaurantes belgas (essas dificilmente são engarrafadas ou exportadas). Outra característica é a baixa carbonatação. Aromas caprílico, de couro são comuns. 

Quando denominada “Faro”, é uma Lambic com adição de açúcar para reduzir a sensação de acidez.

Exemplo de cerveja: Cantillon Grand Cru Bruocsella.

48. Gueuze 

É uma mistura de safras de Lambic jovem e velha e que vai para uma segunda fermentação em barris de carvalho. Seu gosto é menos ácido, amarga e forte, mas leve e adocicada ao mesmo tempo, totalmente balanceada, semelhante ao champagne.

Mais carbonatada, também apresenta aromas caprílicos, de couro e estábulo.

Exemplos de cerveja: Boon Oude Geuze, Mariage Parfait Geuze, St. Louis Geuze Tradition.

49. Fruit Lambic 

Uma lambic que após o processo de fermentação iniciar é acrescentado de frutas. São muito ácidas e apresentam um sabor que pode ser seco ou até adocicada — característica de algumas outras Lambics citadas acima. 

As cervejas mais famosas desse estilo de produção têm a adição de frutas como cereja (Lambic  Kriek), framboesa (Lambic Framboise), pêssego (Lambic Pêche) e maçã (Lambic Pomme).

O dulçor da fruta harmoniza bem com a acidez da lambic, e aromas animalescos também estão presentes em níveis moderados.

Exemplos de cerveja: Kriek Boon, Liefmans Framboise, Lindemans Pecheresse, Timmermans Framboise.

Fermentação Híbrida

Algumas belgas também possuem uma fermentação denominada como híbrida, pois passam por uma fermentação Ale, e uma segunda fermentação/maturação Espontânea ocorre lentamente em até 2 anos em barricas de madeira, onde estarão presentes os microorganismos como Lactobacillus e Brettanomyces.

50. Flanders Red e Brown Ale (Oud Bruin) 

De coloração acobreada (Red) e marrom (Brown), apresentam uma acidez lática, e nas Reds podem apresentar uma acidez acética.

Notas frutadas de esteres estão presentes, com destaque a um sabor de cereja. Não possuem aroma de lúpulo. Apresentam notas amadeiradas interessantes, e nas Brown Ales podem apresentar aroma de cacau devido aos maltes escuros.

Exemplos de cerveja: Liefmans Goudenband (Brown), Petrus Oud Bruin (Brown), Duchesse de Bourgogne (Red), Rodenbach Grand Cru (Red).

A cerveja sempre foi a melhor opção numa mesa de um bar, mas de uns tempos pra cá ela ganhou status e uma variedade de sabores, aromas e tons, sendo uma bebida para todos os gostos.

Os estilos aqui citados são apenas os mais vendidos e consumidos no mundo inteiro, mas dentro dessas “famílias” existem outras tantas variações locais de lagers, ales e lambics. Vale a pena conferir alguns estilos diferentes do que estamos acostumados.

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