Roteiros

Wäls, uma jóia em Belo Horizonte-MG

Escrito por Carlos Lara
SEGUIR NO INSTAGRAMPowered by Rock Convert

Viajar com os amigos é sempre muito bom, ainda mais para uma ocasião especialíssima: casamento de um irmão nosso aqui desta confraria, o Eduardo. E cervejeiro que se preze faz como ele. Na manhã do dia do casamento fomos fazer uma visita à Wals, uma cervejaria de altíssima qualidade, em Belo Horizonte. Quem armou este passeio foi o Fred, cunhado do Eduardo, gente finíssima, e, como nós, um amante de cerveja e produtor de cerveja caseira.

Chegando lá, fomos recebidos pelo Zé Felipe, que é o cervejeiro da fábrica e um dos sócios, junto com o irmão, que cuida da administração, e do pai, o Miguel, que se nós estivéssemos sem compromissos no dia tínhamos ficado o dia inteiro de papo com ele. Lá eles tem uma capacidade de produção de 2,5 mil litros por brassagem, com diversos fermentadores para 2,5 e 5 mil litros.

Não eram nem 11h, e logo na chegada começamos a conhecer melhor as delícias locais. Primeiro foi o chope básico que eles estão desenvolvendo, um pilsen puro malte bem leve para atender ao público em geral. O Zé tirou o chope direto do fermentador mesmo para nós, como podem ver na foto. Uma cerveja leve, gostosa, mas sem nada que agradasse tanto ao nosso paladar.

Rapidamente, então, ele pegou uma das estrelas do mercado nacional: a Wals Bohemian Pilsen. Que delícia de cerveja, bem aromática e amarga, uma típica pilsen tcheca carregada de lúpulo Saaz. Depois de muita conversa descobri alguma peculiaridades desta obra de arte. Uma é que ela recebe um dry hopping, ou seja, também é adicionado lúpulo após a fermentação (o uso normal é na fervura) o que dá este aroma tão marcante. A outra informação, para minha surpresa foi o índice de armargor daquela cerveja. Confesso que chutei que era algo na casa dos 30 ou 35, mas o Miguel falou que ela ficava lá no limite máximo do estilo: 42 IBUs.

Enquanto a gente terminava esse copo, o Zé já puxou mais uma do balde de gelo preparado especialmente para a nossa visita. Seguindo uma ordem, que começou com a pilsen mais leve e partiu para a mais complexa, puxou uma preciosidade: a Wals Dubbel. Essa foi o início de uma viagem entre as cervejas de escola belga, foco da Wals. Ela trabalha esta escola cervejeira como nenhuma outra no Brasil. Foi nessa hora que chegou mais um carioca amigo, o Daniel, um pouco estressado. Mas, quando viu todos com o copo cheio e conversando alegremente, já abriu logo o sorriso e percebeu que estava prestes a entrar num mundo muito prazeiroso. Cervejeiro mais iniciante que nós, em breve nos alcança tamanha é sua vontade de conhecer mais e mais, ainda mais depois desta visita.

Depois veio a Tripel, mais adocicada e clara, uma delícia. E já com 9% de ácool, que não são nem um pouco aparentes, disfarçado pelo equilíbrio entre uma cerveja bem leve e maltada com o frescor dos lúpulos. Como tradição na Bélgica, ela levam uma dose de açúcar, com o objetivo de elevar a densidade sem aumentar muito o corpo, deixando a cerveja mais alcoolica e seca. Mal terminamos esta e já abriu-se o orgulho da casa, a Wals Quadruppel, escolhida entre as 10 melhores cervejas do Brasil pela revista Playboy. E este prêmio não foi a toa, afinal, seus 11% de álcool mal são persebidos nesta cerveja quase licorosa de sabor e aroma muito complexos. Seu sabor apresenta um pouco de uvas passas, chocolate, toffee. Mais tarde, claro, ela foi o brinde no hotel ao casamento do Eduardo.

E por sinal, esse foi o ponto alto da visita. Ao saber que o noivo que casaria em algumas horas, o já amigo àquela altura Zé resolveu abrir uma preciosidade, previlégio para pouquíssimos fora clã Wals. No final da visita, ele sabrou e nos serviu uma divina novidade: a Wals Brut. Ainda em fase de aperfeiçoamento da receita, provamos a cerveja produzida usando o método champagnoise. E o mercado vai receber em breve uma nobre e fantástica novidade. Clara, frutada, com leve nota de anis mas com aparência de cerveja: assim é a Wals Brut, cuidadosamente desenvolvida pelo mestre-cervejeiro local.

Reparem no detalhe da garrafa sem gargalo, no copo servido pelo Zé ao Daniel. A Brut ainda está sendo aperfeiçoada, ou seja, ainda pode ficar melhor, e não tem previsão de lançamento. A comparação com a Deus é quase que automática e o sabor complexo e delicioso as duas tem. Especialíssimas, ambas são. Agora, o doce extremo e o sabor de anis quase enjoativo ao longo dos copos que está marcante na Deus, esta Wals não tem. Ponto para nossos amigos mineiros que querem realmente revolucionar o padrão de qualidade das cervejas nacionais, junto com Colorado, Bamberg, Falke…

Depois, ele foi para o seu treino de Muay Thay enquanto ficamos conversando com o Miguel, que nos contava um pouco da história e de como a cervejaria é tocada. Realmente o seu sucesso está ali, no amor e dedicação que eles tem em produzir cervejas de alta qualidade. E como essa é a nossa praia, ficamos encantados com o passeio e dando ainda mais valor a essa grande cervejaria mineira.

Mas a melhor parte do dia foi quando o padre, durante o casamento, perguntou se o noivo havia bebido alguma coisa durante o dia…

Por: Bernardo Couto

Seja um correspondente Homini LúpuloPowered by Rock Convert

Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

Comentar