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Struise Black Damnation Series

Escrito por Carlos Lara
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Por: Felipe Menezes

Falar das melhores cervejas do mundo e não falar da De Struise Brouwers – ou apenas Struise – é impossível. Trata-se de uma cervejaria belga de pequeno-médio porte situada na cidade de Oostvleteren e criada em 2001, mas que rapidamente acumulou títulos com suas criações.

 

Em 2008, a Struise foi eleita a melhor cervejaria do mundo pelos membros do site americano Ratebeer. No ano seguinte, 9 das suas cervejas figuravam no ranking das 100 melhores cervejas belgas deste mesmo site. Hoje, são 12 entre as 50 melhores cervejas belgas, sendo que 3 estão no Top 50 das melhores do mundo.

 

Não acha nem na Bélgica?

A Struise tem duas características interessantes que a difere das outras cervejarias. Primeiro porque seus cervejeiros vivem experimentando novidades e parcerias, e o resultado são cervejas raras, de quantidade muito limitada, que na maioria das vezes nunca acabam nas prateleiras das lojas. Algumas delas são:

 

– Shark Pants: Uma Imperial/Double IPA fabricada em parceria com a americana Three Floyds.
– Hopverdomme: IPA em parceria com a Pipeworks Brewing, de Chicago, EUA.
– Xenophon’s Wine: Uma mistura de duas receitas similares de barley wine: Uma criada pela Struise e outra copiada e modificada pela Pipeworks, com uma ligeira mudança de maltes e forte adição de lúpulos americanos.

 

Segundo porque grande parte das cervejas da pequena produção da Struise é exportada e sua distribuição é um pouco complicada mesmo no seu país de origem. Várias não são encontradas nem nos melhores bares de Bruxelas, por incrível que possa parecer. A exceção fica para o Delirium Café, que com seu cardápio de mais de 2000 cervejas (detentor do Guinness), tem uma boa variedade de “Struises”.

 

Em dois dos melhores beershops da capital, Da Biertempel e Beer Planet, podemos encontrar algumas cervejas da marca, mas faltam vários rótulos, entre eles os mais raros de todos, da série Black Damnation!

 

A criação da “Maldição Negra”

Em 2009, a Struise iniciou um projeto chamado Black Damnation, com duração de 2 anos (2010 a 2012), e que consiste em realizar diversas experiências cervejeiras utilizando como base a Black Albert, uma Russian Imperial Stout da marca. Mistura com outras cervejas e envelhecimento em barris de madeira curtidos com outras bebidas foram algumas das maluquices que resultaram nos seguintes néctares:

 

– Black Damnation (13% abv) Uma mistura de Black Albert com Hel & Verdoemenis (Hell & Damnation), uma Imperial Stout da cervejaria holandesa De Molen

– Black Damnation II : Mocha Bomb (12% abv) Essa tem uma mistura bem complexa: 50% de Black Albert maturada com grãos de café colombiano, 25% de Struise Cuvée Delphine (que na verdade é a Black Albert envelhecida em barris de Four Roses, um bourbon de Kentucky, EUA) e 25% da Hel & Verdoemenis envelhecida em barris de bourbon por 6 meses.

– Black Damnation III: Black Mess (13% abv) Black Albert envelhecida 3 meses em barris de whisky

– Black Damnation IV: Coffee Club (13% abv) Black Albert envelhecida 6 meses em barris de rum

– Black Damnation V: Double Black (26% abv) Cuvée Delphine que passa pelo processo Eisbock (a cerveja é congelada parcialmente para se retirar a água, o que a torna mais concentrada e alcoólica)

– Black Damnation VI: Messy* (39% abv) Igual a Double Black, mas passando pelo processo Eisbock duas vezes

– Black Damnation VII: Single Black* (2% abv) Black Albert suavizada e leve

– Black Damnation VIII: S.H.I.T* (12% abv) “Super High Intensive Taste”. Mistura de Black Albert com a double IPA Shark Pants, resultando numa Black IPA

– Black Damnation IX: Beggars’Art* (18,1%% abv) Black Albert envelhecida em barris de whisky da destilaria escocesa Ardberg

– Black Damnation X: Double Wood* (15% abv) Black Damnation envelhecida em dois barris de madeira diferentes: Um envelhecido com xerez (um tipo de vinho espanhol, forte e licoroso) e outro com whiskies escoceses da destilaria Balvenie.

– Black Damnation XI: Special Kay (22% abv) Mistura de Black Albert com Kate the Great (Imperial Stout da cervejaria americana Portsmouth) envelhecida por 10 meses em barril de vinho do porto (Quinta de Noval), passando depois pelo processo Eisbock.

*Estas cervejas foram produzidas, mas ainda não foram colocadas para venda, podendo ser consumidas apenas em alguns eventos e degustações.

 

Todas as Black Damnation obviamente são muito limitadas (por exemplo, foram feitas apenas 240 garrafas de 750 ml da Special Kay) e encontrá-las, só mesmo na loja oficial da Struise, em Bruges.

 

Melhores do mundo?

Apesar de todas as cervejas da Struise terem um nível de raridade considerado alto e ocuparem postos altíssimos nos rankings – destacando a Dirty Horse, Pannepot, Pannepeut e suas edições especiais Reserva e Grand Reserva, e, claro, a própria Black Albert – , a série Black Damnation se destaca pela produção bem limitada e pelo caráter experimental, que dá um ingrediente extra que a diferencia das demais.

 

Mas, no final das contas, todas elas são concorrentes de peso na disputa pela melhor cerveja do mundo.

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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