Cultura Guia Básico

Escolas cervejeiras: conheça tudo sobre as 4 principais!

Escrito por Carlos Lara
SEGUIR NO INSTAGRAMPowered by Rock Convert

Muito se fala, por aqui no Homini Lúpulo, sobre a tradição das escolas cervejeiras. Mas afinal, o que são escolas cervejeiras? Não é tudo cerveja?

Sim, todas são cervejas, assim como todos os estilos são cerveja, falando genericamente. Contudo, existem algumas sutilezas nos estilos de cerveja de cada escola que as tornam diferentes entre si, e tais sutilezas criaram uma tradição muito forte de cada estilo de cerveja.

Por isso, hoje estaremos aqui para falar um pouco mais sobre as principais escolas cervejeiras, alguns estilos tradicionais de cada escola, características específicas das brejas de cada escola, as principais marcas importadas que chegam no Brasil e algumas curiosidades sobre o mundo das cervejas.

O que são escolas cervejeiras?

Essa é uma boa pergunta, ainda mais se você quer aprender mais sobre a história da cerveja.

Então, as escolas cervejeiras nada mais são do que uma representação dos países de origem onde são produzidas determinadas cervejas, sendo que cada país possuí seus estilos de cervejas próprios com suas características e personalidades próprias.

Alguns países já têm uma tradição cervejeira de milhares de anos como, por exemplo, as escolas alemã, belga e inglesa. Outras ocuparam seu espaço no universo cervejeiro a pouco tempo, como por exemplo a escola americana; e existem ainda aquelas escolas que ainda estão procurando seu lugar ao sol, como por exemplo a escola brasileira.

Atualmente, entendemos que as principais escolas são representadas por 4 países: Alemanha, Bélgica e Inglaterra e Estados Unidos.

Cada país citado acima tem sua metodologia e personalidade própria de encarar a produção da bebida. E claro, até mesmo a cultura do povo local moldaram e moldam o “jeitão” que a cervejas tem. Não significa, no entanto, que somente aquela escola produza aquele estilo de cerveja. O mundo cervejeiro é feito de reinvenções.

Quais são as principais escolas cervejeiras?

Escola cervejeira alemã

A Escola Alemã é, sem dúvida, a mais cultuada mundialmente. Quando se pensa em cerveja, tem-se a figura de um alemão de chapéu verde, suspensório, shorts e meias até os joelhos bebendo um baita caneco de cerveja.

Nesta escola, é interessante fazer um adendo e incluir a República Tcheca, afinal, lá se inventou a tal cerveja Pilsen que tanto conhecemos (ou pelo menos, pensamos que sim). A tradição germânica é regida pela Lei de Pureza de 1516, em que se determinou que cerveja de verdade era feita com apensa 3 ingredientes (a fermentação ainda era algo misterioso/ desconhecido): malte, água e lúpulo. Essa é a lei mais antiga de alimentos no mundo.

Desta forma, as cervejas alemãs têm como característica a eficiência e qualidade técnica, porém com pouco espaço para criatividade. Não se admite a adição de frutas ou especiarias, como existe nas cervejas belgas; e as leveduras utilizadas nas cervejas germânicas são de caráter límpido, sem deixar muitos resíduos aromáticos.

A maioria dos estilos produzidos por lá são Lagers (cervejas de baixa fermentação), como Pilsen, Helles, Bock, Schwarzbier. Outra tradição alemã são as cervejas de trigo da Bavária e o consumo em grandes festas coletivas, como a Oktoberfest de Munique.

A característica local mais marcante é a produção de cervejas mais maltadas, ou seja, mais adocicadas do que lupuladas (amargas).

Principais marcas

As marcas mais comuns aqui no Brasil são: Paulaner, Erdinger, Franziskaner, Schneider, Hofbrau e Weihenstephaner.

Escola cervejeira inglesa

Diferente da escola alemã, a Escola Inglesa, ou Britânica, tem por característica tradicional cervejas mais amargas e secas.

Viva o lúpulo!

As cervejas por lá é até hoje conhecida como Ale’s, que nada mais é do que cerveja de alta fermentação.

Logo, são mais complexas no sabor que as Lagers alemãs, que tem o sabor mais arredondado. Elas também são mais amargas, mesmo nos estilos mais populares, e algumas levam doses de açúcar como fonte de carboidrato; interessante ressaltar que o açúcar não deixa a cerveja mais doce, e sim ajuda a aumentar o teor alcoólico da bebida, tornando-a mais seca, ideal para climas mais frios.

Outra característica da Escola Inglesa é que as cervejas tendem a ser levemente descarbonatadas (com menos gás) e mais fortes em sabor, amargor e teor alcoólico. Os estilos mais comuns por lá são: Pale Ale, Porter, Stout, Barleywine, Bitter, Brown Ale e a famosa IPA (Indian Pale ALE).

Mas, incomodados com a falta de opção e qualidade, fez-se um movimento em que hoje tem-se diversas cervejarias locais fazendo cervejas de alta qualidade e até inovadoras, como a escocesa Brewdog.

Principais marcas

Na Grã Bretanha, a tradição é beber cerveja em pubs. As marcas mais comuns aqui no Brasil são: Guinness, Murphys, Fuller’s e Newcastle. É interessante ao longo do século passado passou-se muito tempo com os variados estilos de cerveja quase extintos, sendo concentrado apenas em cervejas baratas e de baixa qualidade.

Escola cervejeira belga

Já falamos das cervejas mais maltadas e apuradas, e de secas e amargas. Agora, vamos conhecer a Escola Belga, que consegue se diferenciar e ter dezenas de estilos próprios num território tão pequeno, tradição que se estende também pela Holanda e norte da França.

Mais recente que as duas anteriores, ela se destaca pela criatividade e o sabor complexo.

Por lá são produzidas cervejas de alta fermentação, adicionando ingredientes como semente de coentro, casca de laranja, anis e canela, entre outros. Seu teor alcoólico, em geral, é o mais elevado, muitas vezes passando dos 10%.

Na Bélgica são produzidas as cervejas mais cultuadas do mundo: as trapistas, feitas nos monastérios por monges.

Os estilos mais comuns belgas são: Blonde Ale, Witbier, Dark Ale, Golden Ale, Tripel, Dubbel e Quadruppel.

Os sabores frutados das cervejas locais são marcantes por conta das leveduras utilizadas, mas é também comum a utilização de frutas nas cervejas, principalmente nas cervejas Lambics (cervejas de fermentação espontânea) em tanques abertos.

Principais marcas

As principais marcas locais são: Leffe, Hoegaarden, Chimay, Duvel e Delirium, Westmalle, Vedett entre outras. Lembrando que a Bélgica produz um pouco mais de 1600 rótulos, até por isso seria difícil citar um número considerável de marcas aqui, não é?

Escola cervejeira americana

escola cerveja americanaO reconhecimento dessa escola cervejeira talvez seja alvo de muita discussão e polémica. Mas uma coisa não tem como negar: a cerveja mais consumida no mundo, atualmente, pertence aos americanos, e seu estilo é American Lager.

A cultura dessa escola cervejeira, apesar de recente em relação às outras escolas, se difundiu pelo mundo e ganhou muita popularidade. Temos certeza que 100% dos homebrewers já fizeram a famosa APA (American Pale Ale).

E também se você gosta de cerveja artesanal, com certeza experimentou uma APA carregada de lúpulos americanos. Então, argumentos não faltam para o reconhecimento que essa escola merece frente às escolas tradicionais.

Apesar de a escola americana ter ficado muito tempo “abandonada” (13 anos) devido a Lei Seca e do domínio das grandes cervejarias, as Craft Beer ressurgiram forte devido a necessidade de novos estilos de cerveja. Essa escola também tem a versatilidade de criação da escola belga.

Então, a releitura de receitas tradicionais, de outras escolas cervejeiras, é feita de maneira criativa. Os insumos americanos também são marcantes, principalmente os lúpulos que por lá são produzidos, como os famosos Citra, Cascade, Amarillo, Sincoe e Mosaic.

Alguns dos principais estilos dessa escola são: American Lager, American Pale Ale, American IPA, Pumpkin ALE, American Porter, American Strong ALE, American Barleywine.

Principais marcas

Algumas marcas famosas que encontramos pelo Brasil afora são: Sierra Nevada, Samuel Adams, Anchor, Founders e Brooklyn Brewery.

E que tal ouvir falar sobre a Escola Brasileira? A má notícia é que ela não existe, mas o país vem se destacando muito no mercado mundial, e cada vez mais caminhando para o desenvolvimento de cervejas com o DNA 100% brasileiro, com ingredientes nativos do solo Brasileiro e processos de produção inventados por nós.

As cervejarias brasileiras já são presença constante no cenário mundial ganhando prémios de relevância internacional. Não tardará até o Brasil ser reconhecido como uma escola cervejeira tradicional e de personalidade no cenário cervejeiro.

aprender a fazer cerveja em casaPowered by Rock Convert

Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

17 Comentários

Comentar