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Microcervejaria e nanocervejaria: o que são, quais as diferenças e como ter sucesso

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Cada dia mais, está crescendo a cultura cervejeira no Brasil e, com isso cresce, não só o número de pessoas que entendem de cerveja e querem degustar diferentes estilos, mas também o número de pessoas interessadas em fazer sua própria cerveja artesanal.

O que muitas vezes começa como um hobbie, pode acabar se tornando um negócio fomentando um ecossistema muito interessante, ganham os cervejeiros e ganha o empreendedorismo no Brasil.

O próprio interesse pela cultura cervejeira fomenta a iniciativa de produtores locais que ganham cada vez mais espaço com suas cervejas de qualidade.

Pois bem, nesse post vamos explicar alguns estágios que passam os produtores de cervejas, como podemos denominar cada negócio e como você pode obter sucesso com sua própria cervejaria!

O que é Nanocervejaria

Para ir direto ao ponto, é importante explicar que o principal critério que vamos utilizar para fazer essa segmentação dos negócios de cerveja será a quantidade de litros de cerveja produzidas em um mês.

Indo direto ao ponto, definimos como nanocervejaria aquele produtor que produz até 1000 litros de cerveja por mês.

Essa por si só é uma definição simplória, é importante entender melhor o contexto das nanocervejarias para chegamos a um conceito melhor formado.

É importante ressaltar que não há, no Brasil, parâmetros de produção sequer que difiram, oficialmente, a grande da microcervejaria, trazer uma definição clara da nanocervejaria então se torna ainda mais difícil, quando olhamos por uma perspectiva das produções de menor escala, dividí-las é algo feito quase que pelo sentimento.

Cada um vê a situação de um jeito. Até mesmo entre os produtores a visão é complicada e o termo nano, para alguns, parece soar um pouco depreciativo. Então, antes de traçar um perfil destes produtores, vamos pensar sobre a terminologia, que vai além de dizer que produz em escala Playmobil ou então de Barbie.

Pelo dicionário, nano significa pequeno. Cientificamente, é algo dividido por mil milhões. Parece que a segunda conotação tem mais a ver com este caso, pois as nanos são muito menores que as micro, e infinitamente menores que as megacervejarias.

Portanto o número de 1000 litros por mês é basicamente uma divisão que fazemos do conceito de microervejaria.

Algumas cervejarias se entitulam nano, como a Grimor, de Belo Horizonte. Mas, a grande maioria, enxerga a si próprio como produtor de cerveja artesanal, portanto esse limite começa a ficar vago…

Porém, quando conversa com produtores locais um parâmetro começa a surgir espontaneamente. A percepção de que o termo nano se refere ao produtor caseiro, que vende cerveja sem ser legalizado. E isto é algo no imaginário coletivo dos cervejeiros brasileiros, apesar de não estar escrito em lugar algum. Logo, vamos estabelecer este critério sem se basear em escala de produção ou até mesmo qualidade do equipamento. Assim, propomos, além do critério objetivo de tamanho da produção, a seguinte nomenclatura:

Nanocervejaria: produção caseira ou com equipamentos profissionais, para pequena escala, que atua sem ter todas as licenças para atuar.

O que são microcervejarias?

Se por uma lado as nanocervejaria não têm um de conceito bem definido, por outro lado as microcervejarias trazem uma definição clara.

O parâmetro para uma microcervejaria, a grosso modo, gira na casa de 200 mil litros/mês. Acima disto, adeus micro! É cervejaria e ponto final. Este padrão, inclusive, foi apontado por diversos representantes do setor para o deputado federal Paulo Pimenta, em reunião sobre microcervejarias. Mesmo não institucionalizado, é  já solidificado no meio.

Uma microcervejaria já começa a ter uma escala de produção maior, o que indica não só uma solidez maior do negócio, mas também uma legalização que esse negócio teve que passar para crescer.

Chegamos então ao conceito claro de uma microcervejaria:

Microcervejaria: empresa constituída e legalizada que produz até 200.000 litros/mês de cerveja.

5 dicas para te ajudar a obter sucesso com sua microcervejaria

Abrir uma microcervejaria é um sonho de muitos brasileiros. Com o crescimento pujante do setor nos últimos 10 anos, vemos cada vez mais pessoas se aventurando na produção de cerveja de qualidade. Seja por lazer ou como profissão, as microcervejarias estão mostrando que vieram para ficar.

Se por um lado o crescimento do mercado consumidor demonstra um grande potencial para quem deseja se aventurar na produção, por outro podem existir muitas armadilhas no caminho de quem abre sua microcervejaria.

Para ajudá-lo nesse percurso, preparamos 5 dicas valiosas sobre como obter sucesso com a sua microcervejaria!

1. Escolha bem a localização da microcervejaria

O primeiro item a ser observado antes de investir em uma microcervejaria é o ponto onde ela será instalada. Mesmo que você não tenha intenção de vender diretamente para o cliente final, transformado-a em um bar, é preciso levar em consideração os critérios municipais para produção industrial.

Sim! Apesar de não gerar resíduos industriais, a produção de cerveja é considerada produção industrial e tem áreas específicas em cada município para sua produção.

A boa notícia é que, em diversas cidades, essas regras já foram mais flexibilizadas em virtude da ação da comunidade cervejeira junto à Administração Pública, como é o caso de Nova Lima/MG. Procure saber sobre as áreas autorizadas na sua cidade.

2. Busque os melhores fornecedores

Em qualquer negócio, a presença de bons fornecedores é fator chave de sucesso. No caso da microcervejaria, multiplique esse fator por 1.000! A cerveja será tão boa quanto a matéria-prima utilizada em sua produção (ok, os equipamentos e o conhecimento do cervejeiro também são essenciais).

Como a maior parte da matéria-prima é importada, ainda não temos uma grande variedade de fornecedores no Brasil, então avalie bem o mercado e busque as melhores parcerias para garantir que um produto de qualidade seja entregue ao cliente.

3. Crie uma identidade

O consumidor de cervejas especiais busca novidades, ter uma experiência diferente daquela do consumo de cervejas “normais”. Por isso, um ponto essencial de sucesso de uma microcervejaria é a construção de uma identidade de marca coerente e atrativa.

É importante que haja coerência entre o produto (estilos produzidos, padrões de sabor, amargor, etc.), a marca da cervejaria e os rótulos produzidos, de forma que todos representem os valores que você deseja reproduzir ― por exemplo, se você quer criar uma cerveja mais jovem e experimental, ou uma mais tradicional e relacionada a alguma grande escola.

4. Conheça as normas técnicas

É muito comum que as microcervejarias comecem como um grupo de amigos que produz cerveja para consumo próprio, por lazer. Mas na hora que a brincadeira fica séria e resolvem vender a produção, se deparam com toda a normatização técnica exigida pelos órgãos de fiscalização. Fique atento para não deixar de cumpri-la ou poderá ser alvo de fiscalização e multa.

5. Mantenha um capital de giro

Produzir cerveja não é uma atividade exatamente barata. A estrutura de custos sofre com o dólar, com a sazonalidade de safra, entre outros fatores. Por isso, um microcervejeiro deve estar preparado para sobreviver a esses possíveis solavancos naturais do mercado sem que, para isso, precise sacrificar sua capacidade de produzir. Procure manter um capital de giro de, no mínimo, 30% do capital total.

Como em qualquer plano de negócios, abrir uma microcervejaria de sucesso requer planejamento e estudo das variáveis envolvidas. Procure colocar tudo no papel, construir parcerias fortes (com sócios, fornecedores, distribuidores, etc.) e acredite na sua ideia!

Conclusão

A produção de cervejas de qualidade cresce cada vez mais no Brasil e muitas vezes (importante ressaltar que não é um pré-requisito) uma microcervejaria que já é um negócio mais consolidadado começa como uma nanocervejaria.

O nanoprodutor atua ilegalmente no mercado, é verdade. Mas ele, em contra-partida, tem uma função gigantesca de disseminar a cultura cervejeira, tendo um contato muito próximo com o seu cliente, impossível para uma microcervejaria.

Diversos profissionais começam dessa maneira, pequenos produtores que vendem seus vinhos para sua vizinhança no sul ou aquela cachacinha mineira deliciosa e sem rótulo são só alguns exemplos de empreendedores que começam como podem, com os cervejeiros isso não é diferente.

A produção de cervejas especiais no Brasil ainda tem muito a crescer, e o nicho da microcervejaria é que será responsável por impulsionar esse crescimento. Gostou das dicas? Não deixe de assinar a nossa newsletter para não perder as próximas publicações!

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21 Comentários

    Caríssimo,

    Muito bacana seu post! Éramos cervejeiros de panelas mas, quando adquirimos um equipamento mais moderno e semi-automatizado, passamos a nos intitular nano. Eu tenho uma sugestão científica (rs) e padrão para nomearmos as cervejarias e usarmos a razão ao invés do sentimento! Rsrs… Mediante o seu volume mesmo. Assim como nomeamos o litro ou grama, usaríamos os prefixos corretos a partir da litragem produzida/mês por cervejaria. Agora a gente tem que estabelecer o padrão (o litro no caso rsrs) pra se chamar apenas Cervejaria.. Daí a gente põe MiliCervejaria, MicroCervejaria, NanoCervejaria, PicoCervejaria, FemtoCervejaria… Rsrsr

    Bom pessoal, para definir o que é um nanocervejeiro, continuo com a idéia do Edu Engler, que é de 900 litros por mês.

      Eu gosto muito da idéia de Cervejaria Artesanal com produção de até 1.000 litros/mês sem nenhum processo automatizado, de nanoCervejarias de 1.000 até 10.000 litros/mês com ou sem automação, acima disso e até os 200.000 litros/mês citados na metéria poderiamos definir como microcervejaria.

        Miranda, também gostei da ideia.
        Estou fazendo rótulos agora, e uso a expressão nano, apesar de produzir cerca de 150 litros mês. Meu objetivo são cerca de 400 litros mês até final do ano. Artesanato é por definição aquele produto em que ‘é possível identificar o trabalho manual de “uma” pessoa’, assim, quem produz mais do que 900 litros, tem que ser um polvo pra dar conta sozinho. A expressão Cervejaria Artesanal funcionaria bem nesse caso, e Nano pode ser um bom termo para quem já produz com mais mecanização.
        Só para reforçar minha opinião sobre qualidade, considero besteira dizer que ‘máquinas’ melhoram a cerveja produzida, acredito que capricho faz boa cerveja. Maquinas padronizam a produção, o que pode ser um bom argumento de venda, só isso.
        Até breve cervejeiro!

    definição de do prefixo nano:
    nano = 1×10^-9 metros
    1×10^-9 litros

    etc…

    Nos EUA, usam o termo pico-brewery pra produções caseiras automatizadas ou resultante em algumas centenas de litros por mês. Uma verdadeira alta escala caseira.

    Já estive no bar hanz tomando uma breja em Lumiar. Por sinal muito boa a breja.

    Boa tarde. Produzo cerveja em casa desde 2015, de forma totalmente artesanal, com panelas de alumínio e todo o resto de equipamentos. Minha produção é em média de 120 litros por mês e estou pensando em aumentar essa produção comprando uma cozinha tribloco de 100 litros ou 250 litros. Minha dúvida é o que fazer com os resíduos que sobram da mostura e da fervura, que seriam os grãos moídos (mostura) e o resto de lúpulo e outros resíduos que sobram no final da fervura, e também o que sobra apoś a fermentação. Jogar no ralo da pia? O que fazer? Hoje eu jogo no ralo da pia da cozinha, já que é pouca coisa, mas quando a produção aumentar para 250, 500, 1000 litros por mẽs…
    Abraço.

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