Classificar como claras e escuras faz sentido?

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Nada mais comum do que definir cervejas entre claras e escuras. As claras sendo cervejas mais leve e fracas alcoolicamente, e as cervejas escuras mais fortes e adocicadas. Mas afinal, esta é uma forma correta de categorizar cervejas? Afinal, o que difere uma da outra?

Para iniciar a desvendar este mistério, vamos entender o que faz uma cerveja ficar escura. Basicamente, existem duas formas de escurece-las, utilizando maltes torrados ou usando caramelos e afins. Grande maioria das cervejas escuras brasileiras são Malzibier, e estas são escurecidas com caramelo. Reza a lenda que as grandes cervejarias só produzem uma cerveja, só que uma parte é “caramelada” e engarrafada como cerveja escura. Evidentemente, o resultado final está longe de ser o ideal, gerando uma cerveja bastante doce.

Já a cerveja escurecida com o maltes torrados, como o Carafa I, II e III, conferem um sabor de torrado, muitas vezes com notas de café ou então chocolate. Diversos estilos se enquadram neste perfil, com as Stouts, Bock, Porter, Dunkel entre outras. Logo, aqui cai o primeiro paradigma: cervejas escuras não precisam ser adocidadas. Na foto abaixo, vê se os maltes utilizados na nossa leva de Porter, com maltes de cevada: pílsen, Caraamber,Camunich, Carafa I e III.

Agora, você está imaginando que a cerveja clara é feita de maltes de cevada claro enquanto os estilos escuros usam apenas maltes escuros, torrados. Mas não é bem assim. A proporção de malte torrado numa cerveja escura é bem pequena. Para se ter uma idéia, nesta leva de Porter (foto), utilizamos 6kg de malte no total, e destes, apenas 400g eram de malte tipo Carafa. Ou seja, a diferença de matéria prima entre as duas é bem pequena. Este malte dá a ela um gosto torrado, mas não é isso que aumenta teor alcoólico ou produz outras grandes diferentas conferidas as “cervejas escuras”. O seu teor será mais alto pela quantidade total de malte utilizado, gerando um mosto mais denso e, assim, com mais açúcar para ser fermentado, independente da cor da cerveja. Esta não é a única forma de gerar mais álcool, mas nenhuma outra tem qualquer relação com os maltes torrados.

Desta forma, existem cervejas claras leves e outras mais pesadas e alcoólicas (da pilsen à Strong Golden Ale), assim como cervejas escuras, como a diferença entre uma Brown Porter e uma Dark Strong Ale.

 

A torra do malte gera um certo amargor, mas também não é certo dizer que cervejas escurar são mais doces ou amargas. Isto vai depender da quantidade e tipo de lúpulo utilizado. Existem cervejas doces e escuras, como as belgas Dubbel e quadruppel, e versões amargas de verdade, como as americanas Black IPAs

A conclusão então é bem clara. A diferença entre uma cerveja clara e uma escura existe, mas ela não assim tão ampla. A grande diferença, mais do que cores, está no estilo, na concentração de maltes e lúpulos e no fermento utilizado. A dica que fica é olhar nos ingredientes utilizados, e apostar mais nos sabores das cervejas escuras que não levam caramelo, e perceber o leve ou forte sabor torrado das melhores escuras. Elas proporcionam diversas harmonizações interessantes e diferenciadas.

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5 Comentários

    Sou uma consumidora popular e só bebo a cerveja Petra,(vocês falam das mais sofisticadas) cujo site informa que a cor escura vem do malte torrado em sua composição, mas cuja embalagem cita o corante caramelo. Como sou diabética, tenho dúvidas quanto á segurança de consumí-la. Será que eu posso? (já consumi a cerveja clara, mas peguei verdadeira aversão ao sabor e há anos só bebo a escura. Nunca adocicadas).

    Gostaria muito de experimenta a cerveja clara de vcs…obrigada

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