Malte de cevada

O que é cerveja puro malte?

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Indo direto ao ponto, cervejas puro malte são aquelas que possuem apenas o malte como fonte de açúcar, ou seja, não há adição de cereais não maltados em sua produção.

Mas o que é o malte da cerveja?

O malte é o grão do cereal que passa pelo processo de malteação, onde o grão é umedecido para começar a germinar, e quando o broto nasce, ele é seco com o objetivo de parar a germinação.

Nesse processo, o grão é induzido a produzir enzimas que irão atuar quebrando o amido do malte em açúcares menores durante a produção da cerveja. E na fermentação esses açúcares serão consumidos pela levedura, produzindo o álcool.

Na cerveja, o principal malte utilizado é o malte de cevada, mas existe também malte de trigo, aveia, e até mesmo de milho! O malte é responsável pela cor, aroma, sabor e corpo da cerveja.

Maltes claros por exemplo darão sabor de pão ou biscoito na cerveja, maltes tostados, notas de caramelo, e os maltes torrados, notas de chocolate e café. Para ser uma cerveja considerada puro malte pela legislação brasileira ela deve possuir 100% de cevada malteada. Além do malte,  a cerveja puro malte também é composta por água, lúpulo e fermento

A legislação brasileira permite na cerveja o uso de até 45% de cereais não malteados. Então, muitas cervejarias grandes utilizam outras fontes de carboidratos, como milho e arroz, para reduzir os custos da produção da cerveja, por isso cervejas puro malte começaram a se tornar sinônimos de cerveja de qualidade.

Porém, é importante ressaltar que nem toda cerveja que apresentam outros ingredientes que não os 4 principais são cervejas ruins! Para explicar o que queremos dizer, é essencial que você conheça a famosa Lei de Pureza Alemã.

A lei de pureza alemã (Reinheitsgebot)

Adorada por uns, atacada por outros: assim é a Lei de Pureza Alemã de 1516. Qualquer iniciante a cervejeiro que começa a ler um pouco se depara com este palavrão: Reinheitgebot.

Cada um fala de um jeito, mas todos sabem que a ela significa quatro palavras mágicas: água, lúpulo, malte e fermento. Mas já foram apenas três palavrinhas, pois as leveduras eram desconhecidas em 1516, ano em que o Duque Guilherme IV, da Baviera, instituiu a lei.

Trata-se de um dos mais antigos tratados alimentares da Europa, e preservou a tradição da cerveja alemã. Esta Lei, por preservar estes ingredientes básicos, é sinônimo de puro malte.

Há, portanto, diversas cervejarias que seguem este padrão, e outras tantas que não fazem. É importante analisar cada caso, pois nem sempre a diferença está em seguir ou não esta lei. Deve-se, também, considerar a história de produção do local e o estilo em questão.

Um fator interessante é que a tal Reinheitsgebot não foi criada pensando em preservar a qualidade da cerveja, apenas. Ela foi instituída com a preocupação, também, de que muito do trigo estava sendo usado para produzir a bebida, e assim, o pão, base da alimentação, estava ficando caro.

Anos depois, o malte de trigo voltou a figurar na Lei de Pureza Alemã.

Outro fator era a utilização de diversas ervas, muitas delas com efeitos psicotrópicos e alucinógenos. O lúpulo era produzido nos mosteiros, exclusivamente, fazendo com que a Igreja passasse a ter o controle sobre quem produzia cerveja.

Quando a Lei de Pureza é importante

Se pensamos nos estilos alemães, principalmente, seguir esta Lei é uma premissa básica. Pensar em pilsens, helles, schwarzbiers e weizens de qualidade é pensar em puro malte. Muitas cervejarias buscaram, fora da Alemanha, formas mais baratas de produzir a bebida, utilizando fontes de carboidratos mais baratas, como milho e arroz, principalmente.