Cultura Opinião

Álcool x sabor: por que beber cerveja?

Escrito por Carlos Lara
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Quando abrimos uma garrafa de cerveja, ou servirmos um copo na pressão, o que estamos buscando? Afinal, que força nos motiva a parar tudo para beber? Bebemos pelo sabor agradável, uns vão dizer. E bebemos também pelo prazer e relaxamento que álcool nos proporciona. Mas será que algum dos dois vence essa batalha?

 

Essa dúvida começou quando pensei sobre cervejas artesanais. Estamos em busca de aromas e sabores diferentes, sempre. Mas e o lado da leve embriaguez, será que ele não é relevante? Não vemos grandes encontros dos bebedores de sucos ou degustadores de leite. Café ainda vá lá, mas não tem a mesma dimensão da bebidas alcoólicas (e o café também vai além do sabor, é bom que se diga).

 

Se o que vem antes é o sabor, o que há no sabor da cerveja que tanto nos atrai? A refrescância que ela proporciona poderia ser substituída por um suco? Sim, mas não teríamos as possibilidades mais complexas de sabores. O amargor está em alguns chás, no café. Mas na cerveja ele vem equilibrado com o doce, sem que se coloque açúcar. Para os que gostam de algo mais amargo, bebem uma Imperial IPA. Se queremos algo mais docinho, que tal uma weizenbock? E pronto, não é preciso três gotinhas de adoçante ao servir. O famoso after taste, aquele sabor que fica na garganta ao final do gole, também é interessante, deixando um agradável sabor na boca.

 

Assim, beber cerveja pelo sabor, apenas, se torna uma experiência muito rica. Desta forma, beber cervejas comerciais estaria excluído quase inteiramente desta intenção, uma vez que o sabor é sempre igual, logo, habitua-se a ele, passando a ser despercebido. E é aí que entra a segunda categoria.

 

Pode-se dizer que bebemos pelo álcool, pela sensação que ele proporciona. O professor Jason Kawall, no livro Cerveja e Filosofia, defende a importância do álcool na socialização e formação de amizades. As histórias compartilhadas tanto no momento de que se bebe, quanto depois da bebedeira (aqui ele defende aquelas histórias engraçadas dos dias de exagero) moldam a amizade, fortalecendo os laços. Para ele, dividir um café é um gesto de uma aproximação formal, enquanto um convite para cerveja é uma abertura para uma intimidade maior.

 

Mais do que isso, a bebida faz a pessoa se sentir mais relaxada e confiante. E, com isso, ele traz a necessidade da socialização, a perda do pudor proporcional à quantidade de álcool ingerida. E esta sensação de prazer e liberdade está inserida em qualquer copo de cerveja, vinho, whisky ou até a Maria Louca (bebida feita em presídios). O homem tem, desde sempre, essa necessidade de alterar seu estado de espírito, sua realidade. E isto está, historicamente, em todas as civilizações, seja ingerindo bebida, fumaça ou alguma outra substância. É uma busca natural e até saudável, desde que controlada. Quando prejudica o desenvolvimento da pessoa e até mesmo seu caráter, este caminho se torna perigoso e pernicioso. Dentro desta ótica, pagar caro por algo de melhor qualidade passa a ser sem sentido e não haveria lugar para cerveja artesanal. Ela tem uma relação entre preço e álcool muito mais desfavorável.

 

Depois de pensar tudo isto, continuei com a dúvida: afinal, por que bebemos cerveja? A conclusão que fica é a combinação de ambos. Há dias que a busca é pelo sabor, pela harmonização com algum prato, pelo prazer do paladar. Há outros dias em que se busca o relaxamento. Na maioria das vezes, porém, quer-se um pouco dos dois, e aí entra a cerveja artesanal. Afinal, ela proporciona um prazer duplo para o ser humano, que se dá tanto pelo delicioso sabor como pelo prazeiroso efeito do álcool. Assim, ao beber uma deliciosa Colorado Índica, estamos levando um golpe de sabor no meio da cara. Aroma lupulado, sabor marcante. E, ao final do copo, aquela sensação de leveza nos permeia… E esta combinação potencializa o prazer do momento.

 

 

por: Bernardo Couto

Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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