Cultura Opinião

A era da padronização de tudo, menos de mim

Escrito por Carlos Lara
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Hoje parece que vivemos um momento de massificação de tudo: produtos, comportamentos, ações, formas de relacionamento. Até mesmo o nosso perfil estético está se padronizando, seja naturalmente, seja através de intervenções médicas. Mesma carga horária de trabalho, mega corporações com políticas internas que todos devem respeitar. E pequenas empresas tentando imitar estes padrões. Roupas iguais, calçados iguais. Redes de supermercados com os mesmos produtos e, claro, produtos com a mesma comunicação e qualidade entre eles. Restaurantes usando pouco tempero para “agradar a todos”. No mundo globalizado, a padronização se tornou a meta a ser obtida!

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Parece que a não temos tanto assim a escolher, afinal, as escolhas já foram feitas e nós estamos apenas as seguindo o que nos é oferecido como estrada. E caminhamos, assim, para uma grande frustração coletiva. E como não? Há tempo venho pensando nisso e cada vez se torna mais claro em minha mente. É difícil fugir desta situação imposta, de uma forma ou de outra, para cada um de nós. Nosso mundo gira hoje em torno disto: o sistema político, financeiro e, também, o social. E hoje vejo a cerveja, entre algumas outras coisas, como uma grande válvula de escape.

 

A cerveja? Sim! Uma forma de relaxar, te tirar do estado normal. Claro, existem outras coisas que fazem isto, só que este é um site voltado para estas deliciosas bebidas fermentadas. Mas, mais do que isso, a busca pelos pequenos produtores, por marcas que se relacionam com eles de maneira diferente das propagandas da televisão (mais uma pra lista do primeiro parágrafo). A busca pela qualidade e pela variedade é uma forma de dizer NÃO, EU QUERO ALGO DIFERENTE! Eu, Bernardo, não quero consumir a exata mesma coisa que você, nem que meu vizinho, nem que ninguém, pois nós somos diferentes e temos percepções únicas sobre as coisas. Por que diabos o meu bife precisa ter o mesmo gosto do seu?

Cervejas

Uma IPA, para mim, gera um sabor e uma dose de prazer únicos, e a combinação disto com diversos outros fatores é que vão me fazer mais ou menos satisfeito com a minha vida. Ali, eu estou escolhendo não consumir produtos de massa que foram feitos para desagradar ao mínimo possível de pessoas. Veja a ironia, esse produto me desagrada já antes de chegar à prateleira, e foram feitas pesquisas para que ele não me desagradace. Acho que sou problemático… mas cada um terá seu caminho diferente, com experiências próprias. E é disso que a vida é feita, é isso que viemos aprender. Não há o certo ou errado, apenas não podemos ter comportamentos uniformes.

 

Quando consumimos sempre sem pensar e sem saber por que, nada estamos aprendendo, não estamos evoluindo. Quando eu abro uma Imperial IPA caseira e compartilho com alguém, eu sei que estou fazendo minha parte para fugir do tédio que a padronização nos impõe. Não há uma cerveja em lugar algum como aquela, seja ela melhor ou pior. Quando provo sorvete de bacon do Rima dos Sabores eu posso gostar ou não, mas ali tem a mão de uma pessoa que não contentou em apenas servir porções de batata frita que ele já compra pré-cozida, processada e congelada.

 

Para mim, é isto que nos faz feliz de verdade: a surpresa, a busca pelo melhor, o inusitado. Nada melhor do que viver algo que superou suas expectativas. Mas, para viver isso, é preciso ousar. É preciso provar e descobrir do que gosta e do que não gosta. E eu sei de uma coisa, eu não gosto do que se propõe a agradar a todos! Assim, refrigerantes alcoólicos leves a base de cerveja, , neutras, sem gosto, super-mega-ultra filtrados, sem nada de amargor, com todos os processos acelerados e com sabor padronizado, tenho uma mensagem para vocês: na minha geladeira, vocês não entram!

 

por: Bernardo Couto – editor do Homini lúpulo

Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e cervejeiro de buteco. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e tomando uma boa cerveja com o meu pai, e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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