A Cerveja e o Leigo

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Gostaria de compartilhar com todos vocês o despertar de uma descoberta, e o caminho que me tornou um leigo melhor. Porque nem só de especialistas vive o mundo, concordam?

 

Enfeite decorado com tampinhas e rolhas (foto: Leonardo Lobo)

Nunca vou me esquecer da primeira vez que tomei uma cerveja artesanal. Estava em Los Angeles e fui a um restaurante onde serviam amendoins, e as cascas ficavam jogadas ao chão. Assim que chegamos, eles nos ofereceram uma cerveja da casa. Nos disseram que era de fabricação própria, e como leigos que éramos ficamos desconfiados. Porém, acabamos por aceitar a sugestão e arriscamos nossos contados dólares. Para nosso desespero, aquelas cervejas chegaram à mesa, produzidas e guardadas em potes de maionese com tampa de metal, aí ficamos mais assustados ainda. E para piorar não vinham copos, era para ser tomada naqueles mesmos potes. Mas qual não foi a nossa surpresa ao experimentar a tal cerveja.

 

Que sabor, que textura, era simplesmente magnífica. Chamamos o garçom para agradecer a sugestão e elogiar, e na conversa descobrimos que era a especialidade da casa, produzida ali mesmo nos fundos do restaurante e que já até tinha rendido prêmios ao local. Infelizmente não consegui achar depois site do restaurante e com o tempo acabou que não me lembro do nome do lugar. Bom, viagem terminada, estávamos de volta e com aquela cerveja na lembrança eu comecei a pesquisar um pouco mais sobre cervejas na internet. Pesquisa vai, pesquisa vem e o interesse pela bebida só crescia.

 

Oficialmente nunca fiz um curso de apreciação, degustação, seja lá qual for o nome, até gostaria, mas não fiz. Mas mesmo assim continuei pesquisando e, é claro, experimentando. Como todo bom leigo passei por uma série de cervejas Premium, muitas das quais continuo tomando até hoje. Fáceis de encontrar hoje em dia em supermercados, mais baratas, e não requer um conhecimento tão grande.

 

Lager, Pilsner, Abadia, Weiss, Bock, Trapista, Chope entre tantos outros nomes. Cervejas especiais, com nomes especiais, e que nunca mais deixam de fazer parte da vida de quem as aceita.

 

Com o passar do tempo e algumas viagens a mais na bagagem, andei experimentando várias cervejas artesanais pelo Brasil. Não virei expert nem nada, continuo não conhecendo muito, mas posso garantir uma coisa: minha vida mudou. Aprendi o prazer de colocar a palavra “APRECIAR”, no lugar da palavra “beber”, e a palavra “SENTIR” no lugar da palavra “engolir”. E hoje mais do que nunca tenho buscado conhecer mais, experimentar mais, apreciar e sentir cada vez mais.

 

Não esquente a cabeça com teoria, com proibições ou permissões, não se preocupe com preços ou com quantidade, o importante é gostar do que está tomando e passar a dar valor à qualidade.

 

Leigo ou não, o importante é saber aproveitar os bons momentos da vida, seja no almoço em família, assistindo ao jogo, acompanhado de amendoins, ou de carne de porco, sozinho ou com a galera, na praia, no campo ou onde você estiver. Lembre-se sempre que muitos desses bons momentos podem sim ser fabricados no fundo dos quintais, restaurantes, micro cervejarias estabelecidas ou iniciantes. O importante é que eles existem, e se você, leigo ou não, quer participar e interagir com este mundo novo, lembre-se: escolha bem a próxima garrafa que vai abrir e divirta-se.

 

Por: Leonardo Lobo (post participante do Natal Lupulado 2011, concorrendo a uma Wäls Brut)

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2 Comentários

    Nessa linha comecei a fazer minha cerveja em casa e creia Leonardo, experimentei muito menos ‘tipos’ de cerveja que você. Depois de 31 brassagens, todas de Pale Ale por opção, percebo que existe muito, mas muito mais mesmo contido em uma garrafa feita com atenção, com cuidado, do que o estilo, a classificação, o reconhecimento pragmático, a ‘modernidade’ dos equipamentos… Saber que pessoas ‘leigas’ experimentam nossas cervejas porque gostam, é muito mais prazeroso do que saber que algum ‘sommelier’ acha que ela atende ao estilo pretendido.
    Assim continuo tentando fazer cerveja direito, em casa, para leigos que enxergam na vida o bom no complexo e no simples, pelas mão de um leigo.

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