Cervejas Caseiras Como fazer

Insumos para produzir cerveja caseira: conheça os 4 principais

Escrito por Carlos Lara

A famosa Lei de Pureza Alemã determina que a cerveja deve ser feita de quatro básicos ingredientes: água, malte, lúpulo e levedura. Naturalmente, há diversos outros ingredientes que podem ser adicionados à cerveja com diversas funções, mas esta invariavelmente é a base. Portanto, segue abaixo a lista dos ingredientes para a produção de cerveja:

1. Levedura

A levedura é o microorganismo unicelular responsável pela fermentação da cerveja. Existem duas famílias de fermentos: Ale, de alta fermentação, e Lager, de baixa. Esta é a principal divisão entre tipos de cerveja – que você pode conferir mais sobre isso aqui.

Levedura Ale

A fermentação acontece no topo do mosto, em temperaturas entre 18º e 25º graus. Esta tipo de fermentação gera aromas mais intensos e complexos na cerveja, de uma maneira geral. Exemplos: Porter, Pale Ale, Weizens, Ales belgas.

Levedura Lager

É o tipo de fermentação que acontece na parte de baixo do fermentador em temperaturas igualmente mais baixas (entre 8º e 14º graus). Normalmente, estas cervejas são mais leves e refrescantes, sendo mais “limpas” no aroma e sabor. Exemplos: Pilsen, Bock, American Lager, Schwarzbier.

2. Água

Mais de 90% da cerveja é composta por água. Ela deve ser o mais pura possível, ou seja, livre de impurezas, cloro, aromas e sabores. O mito de que o que faz a boa cerveja é a qualidade da água caiu. Cada estilo de cerveja tem sua água característica, pois os estilos eram regionais, logo, a água disponível para todos daquela área tinham características semelhantes.

Porém, estas particularidades podem ser alcançadas, atualmente, em qualquer região do mundo através de adição de elementos químicos.

3. Malte

O malte de cevada é o mais comum, mas pode-se utilizar malte de trigo ou centeio. A malteação do grão consiste na umidificação do mesmo, seguido de uma germinação controlada. Este processo, quando interrompido antes da germinação completa, gera um grão rico em enzimas e amido. Na brassagem, este amido será convertido em açúcar pelas enzimas, gerando álcool e CO2 durante a fermentação.

O malte também vai contribuir para o sabor e a coloração da cerveja, pois existem diversas formas de secagem dos grãos. Assim, ele pode dar toques mais caramelados ou até mesmo tostado, como nas cervejas mais escuras.

4. Lúpulo

A flor feminina não polinizada do lúpulo tem a função de dar o amargor à cerveja, em contraposição à doçura do malte. O lúpulo também pode proporcionar aroma e sabor à cerveja, através de seus óleos essenciais e resinas. Ao contrário do malte, existe uma enorme variedade de espécies de lúpulo.

As diferenças são notadas na capacidade de conferir amargor à cerveja, assim como aromas e sabores provenientes dele. Ele pode vir em flor, em pó, em extrato, ou pellets (mais comum de ser encontrado no Brasil).

O amargor da cerveja, portanto, provém da conversão dos alfa-ácidos em iso-alfa-ácidos, processo conhecido como isomerização. Ele se dá através da fervura. Cada tipo de lúpulo tem uma quantidade diferente de alfa-ácidos e por isso deve-se refazer os cálculo de amargor (IBU) sempre que alterar o lúpulo usado.

Adjuntos

São os ingredientes adicionados à cerveja que não fazem parte de sua composição básica. Eles são usados com funções distintas, mas basicamente existem aqueles que conferem características desejadas a determinados estilos de cervejas ou então são usados para baratear custos.

Fontes de Carboidrato

Milho e arroz são largamente usados pela indústria cervejeira como uma forma mais barata de carboidratos. Ela não confere sabor e aroma a cerveja, deixando ela mais “pobre” neste sentido. Açúcar é outra fonte mais barata, porém ele pode ser usado em diversos estilos de cerveja com o objetivo de deixar a cerveja mais “seca”, como em muitos estilos ingleses.

Ele também é muito utilizado para o processo de refermentação na garrafa, amplamente usado por cervejeiros caseiros. Há também a utilização de mel, melaço e rapadura, ou qualquer outro insumo rico em carboidrato. Todos com a mesma função.

Grãos

Além dos maltes, é comum a utilização de grãos não-malteados, como aveia, trigo, cevada e centeio. Além de fontes de carboidratos, eles tem outras funções, como aumentar o corpo e a estabilidade de espuma.

Especiarias

Há diversas substâncias que conferem características às cervejas e podem ser utilizadas. É o caso de baunilha, canela, semente de coentro, alecrim, gengibre, menta, cominho e muitos outros. Há muitas cervejas da Escola Belga que levam especiarias, como a Witbier, que leva semente de coentro e casca de laranja. (veja dicas de como utilizar)

Frutas

As chamadas fruit beers podem ser produzidas com diversas frutas, tendo diferentes funções na cerveja. Utiliza-se tanto a casca da fruta quanto sua polpa, suco ou até a fruta inteira. As mais conhecidas são as lambics belgas, que tem fermentação espontânea com frutas.

Madeira

Além do armazenamento em barris de madeira, podem ser adicionados chips ou lascas de madeira à cerveja, durante o processo de maturação, conferindo sabor e aroma. Cada madeira proporciona propriedades próprias às cervejas.

Agora que você sabe sobre os insumos necessários para se fazer uma cerveja, que tal aprender mais sobre os processos de produção?

Um abraço e até a próxima!

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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