Cervejas Caseiras Receitas

Homini Lupulada – IPA

Este domingo foi o dia escolhido para produção de mais uma leva de cerveja caseira. Desta vez, o estilo foi American IPA. Queríamos experimentar uma com bastante lúpulo Amarillo, utilizado na Colorado Índica e muitas cervejas americanas. Ele proporciona um sabor cítrico, muitas vezes puxando para o maracujá. O estilo India Pale Ale tem por característica o amargor pronunciado e marcante aroma e sabor de lúpulo. Nossa meta foi chegar em uma cerveja com cerca de 6,5% de álcool e cerca de 55 IBUs, ou seja, trabalhamos bem no meio do estilo, sem buscar uma cerveja extrema. Isso fica para a próxima IPA.


Para beber bem, tem que fazer um pouco de força. E nosso equipamento de 64 litros (para produzir 40 litros finais) se comprou muito bem, sem sustos na sua segunda utilização. Então, vamos à receita da American India Pale Ale:

Amount Item Type % or IBU
10,00 kg Pilsner (2 Row) Ger (2,0 SRM) Grain 66,7 %
2,00 kg Pale Malt (2 Row) Bel (3,0 SRM) Grain 13,3 %
1,00 kg Caraamber (30,0 SRM) Grain 6,7 %
1,00 kg Carahell (Weyermann) (13,0 SRM) Grain 6,7 %
1,00 kg Melanoiden Malt (20,0 SRM) Grain 6,7 %
50,00 gm Magnum [14,00%] (60 min) Hops 39,1 IBU
20,00 gm Amarillo Gold [8,50%] (30 min) Hops 7,3 IBU
20,00 gm Amarillo Gold [8,50%] (15 min) Hops 4,7 IBU
15,00 gm Amarillo Gold [8,50%] (5 min) Hops 1,4 IBU


Vai um gole de cerveja quente, não fermentada e sem gás? Nesta leva não queríamos ela tão escura quanto da outra vez que fizemos o estilo. E acho que chegamos no ponto desejado: bem laranja, mas não tanto avermelhada e âmbar.


A brassagem foi feita a 66 graus durante 100 minutos. Após recircular, colocamos para ferver por mais 90 minutos, o que gerou um leve escurecimento da cerveja, do que se vê nesta foto. Chegamos a uma OG de 1060, pouca coisa abaixo do que desejávamos, mas bem dentro do estilo.

E nesta leva, pela primeira vez, reutilizamos o fermento, seguindo as orientações do cervejeiro caseiro Lucio Fialho, especialista no assunto. Após terminar a maturação (sem transferência de baldes nem retiradas de fermento durante o processo) colhetamos a parte superior do fermento depositado no fundo da nossa cerveja Vira-Lata, um blend de Barley Wine com Pale Ale. Era um S-05, que também funcionaria muito bem para a nossa American IPA. Assim, tudo ficou mais fácil.


A dica do Lucio foi: “Tente não pegar a parte que já está muito grudada no fundo, pois essa já era. Mexa pouquinho para tirar o fermento, deixando grande parte para trás”. Na foto, estamos jogando no balde o fermento misturado com um pouco de malte. A quantidade recomendada é de 1ml a 1,5ml de lama de fermento por litro de cerveja. Ela deve ser mantida a 1 graus até o dia de utilizar, mas cuidado! Deixe ela subir de temperatura naturalmente antes de inocular. Jogar o fermento ainda gelado na cerveja a 25 graus pode dar um choque térmico.

Muitos cervejeiros comentam que a segunda e terceira cepas de fermento geram uma cerveja ainda melhor. Vamos aguardar os resultados, mas estamos otimistas até para testar uma terceira leva com nosso valente S-05.


Era hora de penduras as chuteiras, ou melhor, os equipamentos, certo? A produção havia terminado, mas a grande cerveja da noite estava por vir.


Delicada, leve e saborosa. Aparenta mais uma cerveja que um champagne, apesar das generosas bolhas. Assim é a Wäls Brut, quarta do mundo a ser produzida no método champenoise. Já havíamos degustado um dos protótipos dela na nossa visita à Wäls no ano passado, e a impressão sobre o produto final foi ótima. Ela traz um leve aroma de champagne, mas sua aparência é de cerveja, como na foto. Mais famosa deste estilo, a Deus, também degustada por nós, é bem mais clara e esverdeada. Ela se aproxima mais do espumante, enquanto a Wäls se mostra uma bela cerveja, tendo drikability muito maior, apesar de ser um pouco menos complexa no sabor. De final seco como um bom espumante Brut, ela deixa um leve dulçor do malte na boca, com notas de vinho.

Resumindo, após fazer uma American IPA caseira, comprovamos o que já sabíamos: as cervejarias nacionais estão evoluindo muito. Cada vez surgem novas cervejas, estilos diferenciados, que se colocam no mesmo nível das melhores cervejas importadas. Agora, nos resta esperar mais cerca de um mês para sabermos se a nossa leva também entrará para o time.

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Sobre o Autor

Carlos Lara

Marketeiro e Sommelier de Cerveja. Criei a minha paixão pela cerveja há um tempo, principalmente vendo jogos de futebol e hoje escrevo conteúdos sobre diversos assuntos nas horas vagas.

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