Bandeira e cervejas belgas

Cervejas Belgas: um guia de estilos da escola belga

“Na Bélgica, não há estilos”, essa é uma frase que define a escola belga e sua tradição na fabricação de cervejas. Esta frase exemplifica a individualidade, não conformidade e criatividade dos cervejeiros belgas. 

É difícil fazer generalizações sobre as cervejas belgas porque uma das suas características é o  desdém por todo o conceito de estilos de cerveja, dando todo espaço a criatividade

Mas apesar do individualismo, os cervejeiros belgas têm fortes laços com sua história e tradição de fabricação de cerveja. E você pode estar se perguntando agora: o que isso tudo significa para mim? 

É simples: você pode ter duas cervejas que são tecnicamente do mesmo estilo e apresentam alguns atributos semelhantes, mas com sabores bem diferentes. Desta forma, os cervejeiros belgas exerceram uma forte influência nos fabricantes de cerveja ao redor do mundo, especialmente no movimento da cerveja artesanal nos Estados Unidos.

Apesar de cervejas não tão lineares, sua categorização dentro dos estilos  é muito importante porque criam uma linguagem que os cervejeiros podem utilizar para comunicar aos consumidores o que eles estão prestes a beber. 

Apresentarei alguns dos tipos mais populares de cervejas do estilo belga e o que você pode esperar de cada um.

Características da escola Belga

Se eu fosse obrigado a escolher uma palavra que represente o estilo belga, e que não seja criatividade, com certeza escolheria complexidade.

Os cervejeiros belgas costumam complementar o equilíbrio entre a doçura do malte e o amargor do lúpulo que você encontra em cada cerveja com aromas frutados, condimentados, florais e de ervas. É importante estabelecer que alguns aspectos da cerveja belga são comuns à maioria — mas não todos.

Em primeiro lugar estão os aromas de fenol, que são produzidos pela levedura e são desejáveis ​​principalmente nas cervejas belgas e Weizens, e em seguida os ésteres.

  • Os fenóis produzem aromas que geralmente são descritos como cravo-da-índia, condimentados, ervas e, para alguns, até chiclete. Nas cervejas sour (azedas), os fenóis se expressam mais como aromas de fazenda, selvagem ou medicinais, que, novamente, são qualidades desejadas.
  • Os ésteres frutados, também provenientes do fermento, criam um aroma de banana ou de frutas cítricas frescas.

Algumas cervejas belgas são como correr por um campo de feno durante a colheita e outras explodem com um pomar inteiro de sabores de frutas. 

Às vezes, você pode encontrar um sabor terroso e saboroso de cogumelo, que remete ao umami, variando de uma acidez leve a uma acidez de enrugar a boca. Podem haver aromas florais sutis de lúpulo, notas de camomila e aromas de álcool perfumado que cheiram a pétalas de rosa. 

Você pode encontrar os mesmos sabores tostados ou caramelados que encontrará nas cervejas inglesas, mas eles podem ser acompanhados por um aroma distinto de tâmaras e especiarias que o transportam para um bazar. Mais importante ainda, quando feito corretamente, os sabores são harmoniosamente equilibrados.

De onde vêm esses sabores? Historicamente, os belgas não eram limitados pela tradição ou pela lei como muitos cervejeiros britânicos e alemães. A Bélgica nunca teve um equivalente ao Reinheitsgebot alemão, a lei de pureza que restringia os cervejeiros a fabricar cerveja com nada além de cevada, lúpulo, água e fermento. 

Se os cervejeiros belgas quisessem usar aveia ou trigo além da cevada, eles eram livres para ir em frente, e também podiam adicionar açúcar caramelizado e um grande balde cheio de coentro, sementes de anis ou tomilho, se quisessem. Essa tradição liberal continua, e os cervejeiros belgas continuam mais preocupados com o sabor do que em garantir que sua cerveja seja “pura” de especiarias e grãos que não sejam de cevada.

Mas grãos e especiarias são apenas uma parte da história do sabor único da cerveja belga. Fabricantes de cerveja em outros países estão mais abertos a usar uma variedade de grãos e especiarias atualmente, mas a cerveja belga ainda tem o gosto “belga”, enquanto as cervejas de Natal com especiarias na Grã-Bretanha não.

Encontrar o fator que define a uma cerveja belga é difícil em um país com uma tradição cervejeira tão antiga e envolta em lendas como a da Bélgica.

Cervejarias trapistas: o que são?

A lenda mais difundida sobre a cerveja belga é que ela é feita por monges, o que é verdade, de certa forma: algumas das melhores cervejas belgas são realmente produzidas dentro das paredes de mosteiros trapistas.

Monge produzindo cerveja

Você passa a imaginar monges em túnicas marrons inclinados sobre tonéis de cobre, mexendo misturas com varas de madeira e adicionando ingredientes misteriosos de acordo com receitas de 800 anos de idade.

Se você está acostumado com cervejas brasileiras, americanas ou inglês, com certeza se espantará com as cervejas belgas em seu primeiro gole. Fortes, douradas, escuras, e muito complexas!

Nenhuma cervejaria trapista é tão reverenciada ou envolta em lendas como Westvleteren, na abadia de Saint Sixtus. O mosteiro produz quantidades tão pequenas que a cerveja quase não é distribuída. Até recentemente, era impossível comprar na América do Norte. Até mesmo os belgas tiveram que viajar para o interior da Flandres Ocidental e esperar na fila (possivelmente durante a noite) para comprar a famosa cerveja dos monges.

Os visitantes só são permitidos entrar no mosteiro mediante convite ou em ocasiões em que eles são abertos ao público.

A verdade a respeito das cervejarias trapistas

Como dito anteriormente, muito se imagina que a cerveja é feita por monges em túnicas em um processo arcaico, mas como se trata do sustento de algumas abadias, muitas das cervejarias são modernas e preparadas para produzir cervejas de alta qualidade. 

Sem monges de túnicas e sem caldeirões abertos, mas sim com salas de controles modernas e computadorizadas, sem nenhuma semelhança com o que era praticado na Idade Média, obviamente. 

Um exemplo claro é a Abbaye d’Orval, monastério que produz a cerveja Orval, fundada no século 12 e seus monges quase certamente fabricavam cerveja desde o início, mas o monastério foi destruída durante a Revolução Francesa e a ordem se dispersou, deixando para trás pouco mais do que uma desolação romântica e lagoa.

A abadia foi restabelecida na década de 1920 e, em 1931, a cervejaria foi inaugurada para ajudar a financiar a reconstrução do mosteiro. A receita da cerveja deve-se aos dois primeiros cervejeiros desse período: o primeiro era um alemão, que seguia o jeito alemão de produção e fabricava algo dentro dos padrões,, e o segundo era um belga treinado na Grã-Bretanha que introduziu técnicas britânicas, incluindo mosturação por infusão e o dry hopping.

Esta é a realidade das cervejas trapistas contemporâneas, onde não há tonéis de cobre antigos, nenhuma receita misteriosa de 800 anos e monges raramente são vistos na cervejaria.

As cervejarias trapistas são agora geridas profissionalmente e operadas por funcionários. As cervejas são feitas com modernos equipamentos cervejeiros e as receitas são de origem relativamente recente. Todos os mosteiros trapistas da Bélgica pararam de fazer cerveja em algum momento nos últimos duzentos anos. As receitas foram ajustadas e novas cervejas foram inventadas para acompanhar a mudança de gostos.

Quando você leva uma cerveja trapista à boca, está bebendo uma bebida muito boa, mas não está bebendo ancestral.

Cervejaria Orval

Estilos belgas de cerveja

Agora introduziremos os estilos belgas mais importantes e também suas principais características, porque depois de tanta explicação acredito que você esteja morrendo de curiosidade para saber cada detalhe das cervejas belgas.

E te garanto que o tempo de espera foi valioso, pois elas valem cada detalhe utilizado para descrevê-las.

Belgian Ales

1. Witbier (ou Wit)

Um estilo quase entrou em extinção na década de 1950, quando a última cervejaria produtora de Witbier fechou suas portas. Felizmente Pierre Celis, que trabalhou em uma receita de Witbier quando jovem e abriu uma nova cervejaria na década de 1960 para reviver esse estilo de cerveja.

Esta cerveja é conhecida como Witbier (ou cerveja branca) devido ao seu aspecto não filtrado, turvo e muito claro. Witbiers são fermentados com até 40% de trigo e com especiarias como coentro e casca de laranja, que conferem um aroma picante e cítrico.

O trigo em muitas Witbiers é, na verdade, não maltado, ao contrário das cervejas de trigo de estilo alemão, que usam trigo maltado. Isso confere um aroma mais granulado. O sabor tem uma doçura moderada, amargor quase imperceptível, e alguns cervejeiros usam uma técnica de fermentação para adicionar um toque de acidez, o que realça as notas cítricas e o torna bastante refrescante.

O álcool por volume é moderado em 4,5% a 5,5%.

Cervejas do estilo para experimentar: Hoegaarden, Blue Moon, Vedett Extra White, Leopoldina Witbier, Praya e Baden Baden Witbier.

2. Belgian Pale Ale

A Belgian Pale Ale apresenta uma coloração âmbar e pode ter sabor de caramelo ou malte torrado. O estilo é caracterizado por amargor, sabor e aroma de lúpulo baixos, mas perceptíveis. Essas cervejas foram inspiradas nas Pale Ales britânicas pois começaram a ser produzidas no século XVIII com as tecnologias de refrigeração da cerveja.

Também tinha como objetivo se opor as cervejas alemãs e tchecas da época, que cada vez mais ficavam em evidência pela europa e utilizaram ingredientes em comum das cervejas britânicas para alcançar o público.

Cerveja Belgian Pale Ale para experimentar: La Trappe Isidor e Gouden Carolus Ambrio.

Strong Belgian Ales

3. Belgian Blond Ale

É um estilo bem típico e é tipicamente fácil de beber, com um amargor de lúpulo baixo, mas agradável. Se caracteriza por ser uma Ale de corpo baixo a médio, com baixo aroma de malte e um caráter condimentado e às vezes frutado-éster. Açúcar às vezes são adicionados para acrescentar o corpo da cerveja. 

Possui um dulçor médio e pouco amargo em comparação a todas as outras cervejas de estilos belgas, como Tripel e Golden Strong Ale. Geralmente possui um tom dourado, brilhante. A impressão geral é de equilíbrio entre doçura leve, especiarias e sabores de éster frutado de baixo a médio.

Cervejas Belgian Blonde Ale para experimentar: Chimay Doree, La Chouffe, Hocus Pocus Orange Sunshine, La Trappe Blond e Leffe Blond.

4. Saison

Saison significa “temporada” em francês. A cerveja se tornou popular nas cervejarias caseiras da Valônia, a região de língua francesa da Bélgica. Ela era preparada e estocada nos meses mais frios, depois usada para refrescar os trabalhadores migrantes durante o verão. O ato de produzir a Saison também deu aos agricultores algo para fazer durante as temporadas de não cultivo, ao mesmo tempo que os grãos utilizados em sua fabricação poderiam ser utilizados ​​para alimentar o gado.

É difícil categorizar a Saison como um estilo de cerveja. Existem tantas diferenças entre as Saisons quanto semelhanças. Em geral, são claras, algumas escuras e outras ainda estão em algum ponto intermediário. A opacidade pode variar, tanto para turva quanto para clara.

O aroma é dominado pelos ésteres frutados, com aromas de banana ou limão e laranja. O aroma de cravo ou pimenta picante dos fenóis podem ou não estarem presentes. O aroma do lúpulo é geralmente picante e a base de ervas. Já seu sabor pode ser moderadamente picante e amargo.

As Saisons podem ser um pouco azedas, mas (idealmente) não tanto a ponto de sobrepor os outros sabores. Embora Saisons não sejam doces, alguns podem ter uma pequena quantidade de sabor de malte para equilibrar os outros sabores. Assim como o aroma, o sabor pode exibir notas frutadas, cítricas, pimenta preta e, às vezes, o sabor de especiarias adicionadas. 

Seu teor alcoólico varia de baixo (4,5%) a alto (8,5%), mas não deve resultar em um aroma ou sabor alcoólico. Saison exemplifica tanto a dedicação dos cervejeiros belgas à tradição quanto à sua não conformidade com as especificações de estilo. Cada cervejeiro parece ter sua própria interpretação do gosto de uma Saison.

Cervejas Saison para experimentar: Invicta Saison Atrois, Verace Abaporu, Wals 42 Farmhouse Ale e St Feuillien Saison.

5. Golden Strong Ale

Foi desenvolvida pela cervejaria Moortgat, fabricantes da Duvel, após a Segunda Guerra Mundial, para competir com as Pilsners. Uma Ale forte e dourada ao estilo belga que se assemelha muito a uma Tripel, mas o sabor é menos granulado, menos doce e com um toque mais amargo. 

A cor varia do amarelo brilhante ao dourado, que geralmente é mais claro do que um Tripel. O final é mais seco do que um Tripel, mas ambas são bem carbonatadas, às vezes a Strong Blond Ale consegue ser um pouco mais. Possui uma quantidade de lúpulo maior que a Tripel, por isso o seu aroma tende a ser floral, perfumado e à base de ervas, devido aos lúpulos europeus usados originalmente ​​no processo de fabricação da cerveja. 

Assim como as Tripel, esse estilo também é frutado e um pouco picante. O  teor alcoólico varia de 7,5% a 10%, que é um fator bem notável na cerveja, mas por vezes não faz com que sejamos distraídos do seu gosto original.

Uma Blond Ale ou uma Belgian Pale Ale podem ser consideradas como versões mais fracas da Strong Blond Ale. 

Cervejas Golden Strong Ales para experimentar: Duvel, La Chouffe Achouffe, Delirium Tremens e Papo Cabeça.

Cervejas Trapistas

Quando você pensa em cerveja belga, isso evoca imagens de monges fazendo cerveja? Caso ainda não seja seu caso, garanto que você passará a associar cervejas e monges a partir de agora. 

A verdade é que existem apenas seis cervejarias na Bélgica e uma na Holanda que produzem cerveja produzida por monges. Estas são as cervejarias trapistas. 

A designação “Trapista” no rótulo de uma cerveja garante o seguinte: a cerveja foi produzida no mosteiro, os monges administram a cervejaria e a produção e os lucros beneficiam a comunidade e os serviços sociais. As sete cervejarias trapistas são: Westmalle, Chimay, Koningshoeven, Rochefort, Orval, Achel e Westvleteren. 

6. Dubbel

Dubbel é um estilo fabricado por monges e cervejarias há muito tempo, muito tempo mesmo, questão de séculos. Dizem que o nome se originou do estilo que exige o dobro do grãos que uma cerveja “normal”, mas isso não diz muito sobre o estilo além do fato de ser uma cerveja forte. 

A sua coloração marrom-avermelhada vem do uso de Candi Sugar escuro em vez de maltes torrados escuros. O Candi Sugar transmite aromas e sabores de açúcar queimado, passas ou chocolate-caramelo. 

Notas de ervas, ameixas, bananas, maçãs, especiarias, pimenta-do-reino e outras qualidades terrosas também podem ser encontradas em um Dubbel. Apesar de um final seco, o sabor de um Dubbel geralmente tem uma doçura maltada devido à quantidade relativamente baixa de lúpulos utilizados.

As melhores Dubbels são acondicionadas em garrafa, conferindo à cerveja uma forte carbonatação. O teor alcoólico varia entre  6% a 7,5%, mas não deve ser muito detectável no sabor ou nos aromas.

Cervejas Dubbel para experimentar: Wals Dubbel, La Trappe Dubbel, BodeBrown St. Arnould 6 e Westmalle Dubbel.

Nota: para ajudar a lembrar a diferença entre Dubbel e Tripel, lembrar da frase “Dubbel is dark” (Dubbel é escura). 

7. Tripel

Semelhante à Dubbel, dizem que o seu nome Tripel significa que ela requer três vezes a quantidade de grãos que uma cerveja típica. Esse estilo vem sendo fabricado na Bélgica desde 1932, mas foi popularizado pela Westmalle Brewery em 1956. Tripel é de cor amarela profunda a dourada com uma espuma branca espumosa. Seu aroma pode ser picante, floral, perfumado e frutado com notas de laranja ou banana. 

O sabor pode ser levemente doce com um pequeno sabor de malte. A combinação de aromas e sabores frutados, juntamente com o amargor do lúpulo (de baixo a moderado) pode fazer esta cerveja parecer um pouco mais doce-maltada do que é tecnicamente. 

O sabor do lúpulo é de baixo a moderado e aparece com notas picantes, ou também herbal. Apesar do teor alcoólico de 7% a 10%, uma boa Tripel não serve somente para nos deixar embriagados. Novamente, apesar do alto teor alcoólico dessa cerveja, ela deve ser de corpo médio a leve.

Cervejas Tripel para experimentar: Westmalle Tripel, Chimay White, La Trappe Tripel, St. Bernardus Tripel e Wals Tripel.

8. Dark Strong Ale (Quadrupel)

Também conhecida como Quadrupel. Importante ressaltar que a Strong Blond Ale citada anteriormente pode ser comparada como uma prima próxima da Tripel, mas a Strong Dark Ale não tem relação nenhuma com uma Dubbel por exemplo. 

Uma distinção importante é que a Strong Dark Ale costuma utilizar malte torrado, fazendo com que ela possua uma coloração mais escura e um sabor mais tostado do que um Dubbel. A sua coloração varia de um âmbar escuro a marrom escuro com uma espumosa ponta espumosa. O aroma pode ser descrito como rico, doce, tostado, pão, caramelo, apimentado, herbáceo, com notas de frutas escuras como ameixa, uva passa, ameixa ou figo. 

Seu perfil de sabor é semelhante ao do aroma e é moderadamente doce e maltado com uma quantidade de amargor de baixo a moderado, que fornece equilíbrio e às vezes uma qualidade picante. Apesar da complexidade de sabores e aromas, uma boa Strong Dark Ale combina todos esses atributos harmoniosamente. 

É um estilo com alto teor alcoólico, variando de 8% a 11%.

Cervejas Dark Strong Ale para experimentar: Westvleteren 12, St. Bernardus Abt. 12, Chimay Blue, Delirium Nocturnum, Rochefort 8, Verace Oroboro e BodeBrown St. Arnould 10.

Sour Ales

Uma discussão a respeito das Sour e cervejas selvagens pode ser uma discussão distinta sobre ela mesma, portanto, esta será uma introdução muito breve para não complicarmos demais, ok. 

Sour Ales e outras cervejas feitas com técnicas de fermentação selvagem podem ser difíceis de categorizar, mas essas são duas categorias pelas quais você pode começar. 

9. Flanders Red Ale 

As Flanders Red Ale podem ser mais facilmente resumidas como complexas, doces e azedas, com uma longa história. Se trata de um estilo envelhecido historicamente em barris de madeira por um longo período de tempo, o que pode aumentar a complexidade da cerveja. Essas cervejas variam do vermelho profundo ao marrom, com boa clareza e espuma clara. 

O aroma pode conter qualquer um ou todos os seguintes: carvalho, frutas escuras, cerejas pretas, groselhas, tâmaras, chocolate, baunilha, toffee ou caramelo. O aroma azedo da cerveja varia de citrino azedo a vinagre balsâmico doce. 

O sabor é uma bela mistura de doce e azedo, com muitos dos aromas frutados também fazendo sua aparição. Sugestões de sabores picantes também podem ser detectados. Este estilo de cerveja tem muito pouco amargor de lúpulo e nenhum sabor percebido de lúpulo. 

O teor alcoólico varia de 4% a 8%.

Cervejas Flanders Red Ales para experimentar: Rodenbach Grand Cru, Duchesse de Bourgogne e Echt Kriekenbier.

10. Lambic e Gueuze

Lambic é uma cerveja fermentada espontaneamente feita de trigo não maltado, cevada maltada e lúpulo envelhecido. É literalmente deixado em grandes recipientes abertos para coletar o fermento selvagem no ar. Lambic é normalmente produzida nos meses mais frios, muito na tradição da fabricação de cerveja em fazendas, mas neste caso o clima mais fresco é para garantir que apenas o fermento selvagem possa fermentar a cerveja. 

Após a fermentação, a Lambic pode ser envelhecida em barris de seis meses a cinco anos. Lambic não passa pelo processo de blend.

A cor de base da lambic é amarelo pálido a dourado. O aroma é bastante ácido, com notas terrosas de curral, feno, “cavalo” ou casca de queijo. Também pode expressar qualidades dos barris de carvalho. As cervejas recém maturadas (novas) são mais azedas, já as mais velhas têm um equilíbrio muito melhor entre o azedo e o malte.

Os sabores podem variar muito, mas podem incluir maçã, frutas cítricas ou mel. Lambics têm pouco ou nenhum sabor ou amargor de lúpulo. Além disso, os lúpulos funcionam principalmente para fins antibacterianos, em vez de sabor.

Já a Gueuze é feita do blend de lambics que foram envelhecidos em barris de carvalho por um, dois ou três anos. O mestre cervejeiro determina quais níveis são necessários para produzir o produto ideal. Os sabores e aromas são semelhantes ao da Lambic, mas são mais equilibrados e refinados.

A Fruit Lambic é semelhante a uma Gueuze porque passa pelo blend. A fruta é geralmente adicionada na metade do processo de envelhecimento. A Lambic assumirá muitas das características da fruta que foi adicionada.

Quanto mais jovem a Lambic, mais doce e proeminente será o fruto. Quanto mais tempo for envelhecida, mais os sabores serão visíveis. Uma palavra de cautela: algumas cervejas rotuladas como Fruit Lambics na verdade não são Lambic verdadeiras porque alguns fabricantes utilizam xarope com sabor em vez de frutas de verdade. Seja cauteloso com o que você está tentando.

Nota: Os termos Lambic e Gueuze também costumam indicar que a cerveja veio da Bélgica.

Exemplo de cerveja Lambic para experimentar (sem bland): Cantillon Grand Cru Bruocsella. 

Exemplo de cerveja Lambic (com blend) e Fruit Lambic para experimentar: Geuze Mariage Parfait, Boon Oude Kriek, Cantillon Kriek, Imigração Sour Whisky Lambic e St Louis Gueze Fond Tradition.

Espero que você tenha gostado do nosso guia completo a respeito das cervejas belgas, compartilhe com amigos e também nas redes sociais para nos ajudar a cada vez mais disseminar esse conteúdo!

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