Faz tempo que não escrevo um artigo por aqui. Bastante tempo, eu acho… mas acho que coloco para fora um sentimento que vem se tornando mais e mais presente no meio cervejeiro. O mercado está crescendo, os cervejeiros caseiros se multiplicando. São novos bares, novos entusiastas aparecendo. Que coisa boa! E com isso, claro, chegaram junto alguns problemas, e o texto é sobre isso. Não basta elogiar, apenas, a evolução que estamos tendo. É também preciso refletir.

 

Muito se fala e se falou com o cuidado para não tornar a cerveja chata, como ficou estereotipado o bebedor de vinho. Acho que esse é um mal, sim, mas apenas uma consequência. A vontade de escrever o texto, finalmente, chegou com um desabafo. Um cervejeiro das antigas aqui do Rio veio me confessar que anda bebendo muita cerveja ruim dos iniciantes. Eu, particularmente, não tenho bebi muitas, então fica difícil avaliar. Mas o que ele me apontou é grave e concordo plenamente: as pessoas não querem mais começar pelo simples. Uma coisa de cada vez, já diria o ditado.

 

Segundo ele, muita gente anda inventando na primeira leva, colocando gengibre, isso e aquilo. Lembro que quando comecei escolhi o estilo que julguei mais simples: uma pale ale. E depois fiz uma weizen, que não ficou boa. Voltei para a pale ale, e aí já comecei a acertar mais a mão, mas com uma certa oscilação de qualidade normal do início. Agora, colocando um insumo inusitado eu dificilmente conseguiria descobrir onde estou errando (veja aqui a lista dos principais off flavours e suas causas) ou até mesmo que estava errando. Afinal, fazendo uma cerveja totalmente estranha com ingredientes exóticos, como comparar com outra viagra online e saber se acertei?

 

Não sou nem tão antigo assim, comecei em 2009 a fazer cerveja. E via a galera chegando com mais calma, entrando como quem não foi convidado.