por: Bernardo Couto

 

Esta semana recebi um convite do Have a Nice Beer para escrever para o blog deles sobre cerveja caseira, utilizando uma linguagem mais simples, direta, sem o aprofundamento que é visto por aqui. E isso me fez começar lá pelo início, que este mês completam três anos, e me fez refletir sobre a essência, o que é ser cervejeiro caseiro?

 

Cervejeiro caseiro é um cuidadoso produtor de mosto

Lembrei dos caras que já eram cervejeiros na época, davam cursos, participavam da ACervA. Daquele monte de estilos de cervejas, tipos de lúpulo, de malte, fermento. E aquele monte de equipamentos? Nossa, era muita coisa! Mas aí, de cara, coloco um ponto inicial para definir o cervejeiro caseiro: paixão. É um hobby, claro, e não precisa ser mais do que isso. Mas o desafio por melhorar, inovar e inventar leva a pessoa a pesquisar, trocar experiências e ir evoluindo constantemente. Dizem que, na vida, a gente morre aprendendo, e o cervejeiro caseiro vive isso intensamente. Temos cuidados mínimos, com detalhes que de fora parecem bobos.

 

Um segundo ponto interessante é a paciência. Lembro da minha primeira leva e a agoniante espera para ver o resultado final. 3 semanas sem saber o que ia dar? Aquilo era uma tortura! Hoje, porém, o costume com o processo e os tempos faz tudo ser tranquilo. E essa tranquilidade é uma capacidade adquirida para lidar até com situações que nada tem a ver com cerveja. Muitas vezes temos apenas que esperar o tempo adequado, não há o que podemos fazer para apressar sem prejudicar o resultado final. E claro, é preciso paciência e tempo em busca do ótimo.

 

E, aí, entra em cena um terceiro ponto importante: perfeccionismo. Vamos em busca dos melhores insumos, os melhores equipamentos, as melhores técnicas. Dedicamos tempo, muito tempo, para que no final tenha um resultado de alto nível. Ao fazer cerveja, a busca é pelo melhor resultado possível, e esse cuidado acabamos deixando de lado em muitas outras coisas que fazemos, infelizmente.

 

Para finalizar, o companheirismo. Nunca fiz uma leva de cervejas sozinho, nestes 3 anos de produção. Nunca! E nem quero fazer. Quero ter alguém depois para beber comigo e poder avaliar o resultado. Quantos amigos a cerveja não me proporcionou? Amigo mesmo, não falo de conhecidos não. O companheirismo entra, também, na troca de ideias, de receitas, de técnicas e descobertas. O cervejeiro caseiro quer sempre que o outro se desenvolva, que mais pessoas produzam e gosta de ouvir as críticas à sua produção com o intuito de melhorar. E aqui, para não dizer que só falei de flores, entra o maior defeito do cervejeiro caseiro e que muitas vezes mata algum ou muitos dos itens acima: vaidade.