Com o mercado de cervejas crescendo no Brasil, palavras como “lúpulo”, “encorpada” e “frutada” estão cada vez mais na boca das pessoas. Porém, nem sempre se sabe o que esperar de cada estilo de cerveja e isso acaba gerando decepções e surpresas. claro, aqui também tem informações para você tirar aquela onda com seus amigos e passar a cultura cervejeira adiante. Este é o primeiro capítulo desta série, e para começar nada melhor do que o estilo que faz a cabeça dos lupulomaníacos e é cada vez mais cultuado no Brasil. Com vocês, quase tudo que vocês precisa saber sobre IPA.

O que é IPA?

 

IPA é a sigla para India Pale Ale.  A história, ou lenda, é que os ingleses precisavam de cervejas com mais lúpulo e álcool para que ela aguentasse viagens mais longas, pois o lúpulo é um conservante natural. E as viagens da época iam para a Índia. Essa história é bem controversa, há quem defenda, há quem considere piada…

 

Fato é que o estilo surgiu na Inglaterra, como uma versão mais potente e amarga do que as pale ales. E ele se tornou um coadjuvante até o renascimento da americana. Com novos tipos de lúpulo locais e com a atitude de levar as cervejas ao extremo, as IPAs se tornaram a marca do movimento de cervejas artesanais nos EUA. Muito amargas, extremamente aromáticas e ainda assim refrescantes e fáceis de beber, estas cervejas fazem um ótimo contraponto contra a grande indústria, que aposta em bebidas neutras, extremamente leves, de cor estupidamente clara e com quase nada de amargor. Então, a IPA foi o chute na porta das cervejas “claras e sem graça”!

 

O que esperar?

 

Lúpulo, é claro!

 

Precisa de mais informação? Tá, então vamos lá… é uma cerveja que tem esta linda e amada flor como destaque. Então, uma IPA deve ter um amargor marcante, com um equilíbrio puxando mais para o amargo mesmo, não se assuste. O corpo não pode ser muito alto e os sabores e aromas de caramelo, principalmente nas versões americanas, devem ser bem discretos. Mais que amargor, o lúpulo aqui deve trazer uma explosão de aromas nos copo. Os mais encontrados são os cítricos, que podem lembrar maracujá, laranja, manga, grapefruit, entre outras frutas. Também encontramos muitas notas florais e resinosas, entre outras. Tudo vai depender de como e quanto o cervejeiro vai usar na sua receita. Existem dezenas de espécies de lúpulo, e a combinação deles, ou mesmo utilização de um só, o chamado single hop, vai determinar a característica da cerveja.

 

A cor de uma IPA deve ser de dourado a acobreado. O teor alcoólico, tradicionalmente, vai de 5,5 a 7,5%.

 

Dicionário dos lupulomaníacos

 

Lúpulo – flor desta planta mágica, que vai dar amargor e aroma para estas cervejas.

IBU – é a unidade de amargor de uma cerveja. Em linhas gerais, quanto mais alto, mais amargor a cerveja carrega.

Simcoe, Citra, Amarillo, Cascade, Centennial, Columbus… – esses são alguns dos lúpulos americanos mais famosos e usados nestas cervejas. Cada um dá uma tipo de aroma próprio.

Dry Hopping – é a adição de lúpulo na fase de maturação ou fermentação da cerveja, acrescentando mais aroma e frescor à cerveja, sem aumentar o amargor. Técnica muito usada para este estilo.

 

Este é lúpulo, o protagonista de uma verdadeira IPA

Esta é a flor do lúpulo, o grande protagonista de uma verdadeira IPA


O que não dizer

 

“Eca, muito amarga” – se o amargor te incomoda muito, talvez você ainda não esteja preparado(a) para ela. Pede para sair!!! Então não adianta ir lá e dar nota baixa no Untappd por que achou amarga demais, viu? Agora você já sabe que isso não é defeito.

 

“Tem fruta, né?” – os aromas das IPAs vem do lúpulo, e parecem fruta mesmo. Mas não é! A não ser, claro, exceções que levam frutas ou outros aditivos, mas neste caso, tecnicamente, estão fora do estilo IPA pelos guias.

 

“Bem encorpada!” – uma IPA fiel ao estilo não é encorpada, é amarga e tem um frescor de lúpulo intenso. Essa potência de sabores e aromas não significa corpo, mas representa amor líquido <3

 

 

As variações

 

American IPA – a versão mais popular, que foi descrita acima.

English IPA – esta é a forma como os ingleses fazem, a mais antiga. Tem uma característica de malte mais acentuado que a versão americana e um aroma de lúpulo mais discreto e com outro perfil aromático, já utiliza versões européias.

Imperial IPA – também chamada de Double IPA ou Double Pale Ale, é a versão mais potente da IPA. Amargor ainda mais acentuado, doses exageradas de lúpulo e teor alcoólico elevado. Para quem quer algo bem extremo.

Session IPA – o contrário da Imperial, a Session aposta em baixo teor alcoólico sem perder as características lupuladas. São cervejas desenhadas para serem bebidas em maior quantidade.

Belgian IPA – cerveja com base nos estilos belgas mas com mais amargor e aroma, utilizando muitas vezes até lúpulos americanos, que não aparecem nas receitas tradicionais belgas.

IPAs de outra cor – com o tempo, IPA se tornou um adjetivo para cerveja com amargor marcante e muito aroma. Assim surgiram as Black IPAs, ou IPAs escuras; as Red IPAs, que seriam as versões vermelhas; Wit IPA, versões mais lupuladas das witbiers; e por aí vai.

 

Exemplos no mercado brasileiro

Nacionais: Colorado Indica, Way Die Fizzy Yellow, Maracujipa (essa tem fruta), Hi5 Black IPA, Funk IPA, Black Rye IPA, Perigosa, Cacau IPA (essa leva Cacau), Invicta Imperial IPA, 1000 IBUs, Green Cow, Holly Cow, Falke Estrada Real.

 

Importadas: Punk IPA, Anderson Valley IPA, West Coast IPA, Yellow Snow IPA, Jack Hammer, Centennial IPA, La Chouffe Houblon.